As respostas que não temos

No clima de relembrar o que vivemos em 2011, muitos programas de TV repassaram a tragédia de Realengo de forma rasa, com flashes das vítimas, em formato vídeo-clipe para lágrimas serem derramadas. Não que elas não devam cair, mas minhas perguntas não são respondidas: por quê?! Um punhado de análises psicológicas e outras tantas, feitas nas coxas, tentam dar conta de explicar tudo o que aconteceu ali…Entretando, eu quero saber como é que a família do executor “passou” por tudo aquilo.

Saindo da realidade brasileira, um filme se propõe a passar a dor da família do assassino em casos como o do carioca. Neste caso, We Need to Talk About Kevin” (Precisamos Falar Sobre o Kevin), acompanha a história de Eva (Tilda Swinton). Morando sozinha e teve sua casa e carro pintados de vermelho. Maltratada nas ruas, ela tenta recomeçar a vida com um novo emprego e vive temorosa, evitando as pessoas. O motivo desta situação vem de seu passado, da época em que era casada com Franklin (John C. Reilly), com quem teve dois filhos: Kevin (Jasper Newell/Ezra Miller) e Lucy (Ursula Parker).

Kevin é o autor do massacre numa escola local. E da mesma forma como alguma tragédia, tipo os massacres em Columbine e Realengo, busca encontrar um motivo para que tenha acontecido, Eva (a mãe) repassa sua história diante de nossos olhos procurando responder as mesmas perguntas que as nossas. Mesmo que a vida inteira do menino (ele comete os crimes quando tem 16 anos) já demonstrava que alguma coisa estava errada, sua mãe e “nós” não poderíamos acreditar que algo mais aterrorizante poderia acontecer. Não direi a vocês como termina o filme, mas ele traz algumas tentativas de dar respostas (!) para questões sobre a maldade humana.

Do ponto de vista artístico, Tilda Swinton – a atriz que interpreta a mãe (Eva) – está numa de suas melhores performances. Inevitavelmente sentimos a sua dor e nos sentimos tão culpados quanto ela pelas tragédias que nos cercam.

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