O que eles querem realmente dizer

Segue uma lista de expressões utilizadas pelos críticos e o que elas realmente querem dizer:

“Acessível”: não tem muitas palavras grandes – Mark Kohut, autor e consultor

“Aclamado”: vendeu pouco – Peter Ginna, editor, Bloomsbury Press

“Capta os tempos em que vivemos”: Capta os tempos em que vivíamos dois anos atrás – Mark Athitakis, crítico

“Bom para a sala de aula”: As crianças não vão ler a não ser que sejam obrigadas – Linda White, promotora, Wonder Communications

“Continua na orgulhosa tradição de J.R.R. Tolkien”: Esse livro tem anões – Jason Pinter, autor infanto-juvenil

“Épico”: muito longo – Sheila O’Flanagan, autora (Stand by Me)

“Literatura étnica” – Qualquer coisa escrita por pessoas não-brancas – Rich Villar, diretor executivo da Acentos

“Conto arenoso das ruas” – Autor negro da periferia – @DuchessCadbury, estudante de literatura

“Prosa lapidária” – Eu não sei o que metade dessas palavras significam –  Jennifer Weiner, autora (Then Came You)

“Luminoso” ou “Lírico”: quase nada acontece – Peter Ginna, editor, Bloomsbury Press

“Autobiografia”: Não-ficção até que se prove o contrário – Larry Hughes, editor-chefe do The Free Press na Simon & Schuster

“Realmente emocionante”: O texto é tão ruim que vai te fazer chorar – Drew Goodman, jornalista

“Sensual”: Pornografia leve – Peter Ginna, editor, Bloomsbury Press

“Assombroso”: O personagem principal morre – Mark Athitakis, crítico

“Estreia promissora”: Tem muitas falhas, mas não é imperdoavelmente ruim – Mark Athitakis, crítico

“A voz de uma geração” – Instantaneamente datado – Mark Kohut, autor e consultor

“Um livro para o futuro” – Deixe para ler depois – Mark Kohut, autor e consultor

“Fantasmagórico” – Ficou na cabeceira da minha cama por vários meses enquanto eu lia outras coisas – Sara Eckel, jornalista do New York Times

“Shakespeariano” = Todo mundo morre no final – Mark Kohut, autor e consultor

“Hemingwayniano”: sentenças curtas. “Faulkneriano” = Sentenças longas. “Fitzgeraldesco”: Muito remorso, saudades e gente rica – Arthur Phillips, autor

Fonte: TRIP

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O problema é que você lê pouco

Dias atrás fui surpreendido com a confusão gerada por conta de um tweet postado em meu perfil no Twitter. Um dos meus seguidores, além de não ter entendido o que eu havia escrito, passou a responder à mim pedindo para que eu fosse mais claro em minhas colocações. Embora não haja, neste post, qualquer intenção de examinar o conteúdo da mensagem no Twitter, o fato é que, depois de analisado várias vezes, não identifiquei qualquer falta de sentido, entretanto localizei o causador da pequena confusão: uma ironia colocada em entrelinhas…

Este é somente um “micro” exemplo das proporções geradas por conta da leitura feita de maneira rasa, sem qualquer interesse em aprofundar-se nos sentidos ou múltiplos sentidos. A geração da informação quer todo o conteúdo mastigado e explicado em seus mínimos detalhes, porém ao mesmo tempo deve ser bem pequeno (não mais do que 140 caracteres) para poder ser processado na velocidade em que se procura outra informação. E o processo de introjetar mais e mais informação certamente tem efeito negativo no entendimento da mensagem. Não há mais reflexão acerca de um tema, apenas o consumo de palavras sem qualquer interesse em se degustar suas qualidades.

Mesmo aqueles que se defendem argumentando que lêem muito, na verdade fazem uma leitura parcial dos acontecimentos. Um exemplo: a partir do momento que somente um jornal ou um canal de televisão é o responsável por abatecê-lo de informação, o desencadeamento de uma parcialidade nos comentários é inevitável. É preciso conhecer os dois lados da moeda, num jargão bem popular. É realmente necessário ter opinião ou tomar partido de tudo que acontece? Enquanto não vemos o quadro completo, o máximo que conseguimos é tecer comentários vazios de sentido global, baseados apenas na experiência, o que convenhamos não é nenhum critério de avaliação para um “todo”.

O vídeo a seguir ilustra bem esse post. Mesmo que você não curta a música ou o posicionamento dos integrantes da banda, o que fica é a frase final. Concorda?!?!

O perfil brasileiro em redes sociais

Um outro conceito transmutou-se nos últimos anos: o de comunidade para “redes sociais”. São absolutamente distintos, muito embora o que se lê ou fala a respeito aproximam os significados dos termos de forma a uni-los em função de explicar o comportamento de um indivíduo em determinada rede social. No final de 2010, o site Baixaki examinou o perfil do brasileiro em redes sociais e os resultados ilustram graficamente esta nota:

O tempo empregado na utilização das redes é reveladora:

A identidade de gênero e o ranking ficam em evidência:

Artigo completo: http://migre.me/3Mhsg

Paulo não tinha um blog

Se existisse internet por volta de 64 D.C, dificilmente ele não seria um blogueiro. Seu perfil no Twitter certamente teria milhões de seguidores e, outros tantos o adicionariam no Facebook.  Porém, não é esse o contexto do homem responsável por difundir o Cristianismo além dos limites judaicos. A estratégia ou ferramenta para alcançar seus objetivos foi a utilização de cartas, muitas delas escritas enquanto esteve preso por conta da defesa de sua fé.

O impacto que seus escritos causavam nas igrejas, ainda em formação, era tão grande que suas posições são até hoje são combustível para discussão tanto no meio cristão, quanto em filosofia. Foi Niestzsche quem acusou Paulo de ter transformado a mensagem libertária de transformação individual numa religião de culpa e de rígidos padrões, por isso que o Cristianismo teria se tornado uma espécie de negação as idéias de Jesus.

A finalidade da trajetória de Paulo, para retomar o argumento inicial, não era o número de seguidores que teria e sim a eficácia de sua mensagem. Ele tinha o que dizer. Atualmente muitos usuários das redes sociais ou blogueiros sonham em ter milhões de seguidores e não se preocupam muito com o que estão dizendo. Por causa da facilidade em digitar meia dúzia de palavras sem sentido no computador em contraponto ao exercício mental de construir um argumento sólido para justificar um conceito, os números a seguir são assombrosos.

Algumas estimativas dão conta de apontar cerca de 126 milhões de blogs existentes até 2010 (fonte Blog Pulse). O número de “tweets” por dia é de 27,3 milhões. Esses dados nos mostram o poderoso cenário da importância das mídias sociais. Dessa forma, a criação do Contraposição tem a ver com a espera despendida pela inspiração. Mas, inspiração é para amadores me disse alguém. Os demais, os meros mortais simplesmente se põem ao trabalho. Todas as grandes sacadas surgem a partir do processo, e era o que Paulo sabia de cor e salteado.

A imagem que ilustra este post é de Caravaggio, “A conversão de São Paulo, a caminho de Damasco”, (1600-1601), Santa Maria del Popolo, Roma

 

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