Por um sexo menos ordinário

Muitas sociedades impõem limites rigorosos a sexualidade do individuo, basta pensar nas punições extremas dos países muçulmanos. O caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani, por exemplo, provocou comoção internacional, visto que o delito era o adultério e um suposto assassinato do marido. A orientação da atividade sexual nesses países é claramente definida pela religião, entretanto, em outras culturas ultrapassa os limites do credo. Historicamente, as sociedades e suas organizações político-sociais variam seus níveis de inibição dependendo da densidade demográfica, ou seja, na medida em que não há necessidade de reprodução, o foco passa a ser a repressão da sexualidade e, dessa maneira, o valor de uma mulher nessas comunidades é medido por quanto foi pago por ela – na África Oriental a quantia tem a ver com quantas vacas estão envolvidas na negociação.

Apesar de vivermos num contexto de aparente liberação sexual e suas manifestações, da exposição de corpos no carnaval à poesia funkeira, o discurso de livre sexualidade aparece como tema de filmes e novelas, contrapondo casos em que homossexuais são alvo de linchamento público, e em poucos casos se observa punição aos envolvidos, nesse caso necessária já que violam os direitos mais básicos. Até pouco tempo atrás o divórcio não era visto com bons olhos pelos brasileiros, hoje, no entanto ouve-se em muitas rodas: “se não der certo, separa”. A expressão parece legitimar uma atitude mais livre, um casamento sem necessidade de comprometimento.

Sendo assim, nada mais radical que optar por se unir a alguém já que a possibilidade de ser livre das obrigações que o casamento define é inversamente proporcional. Segundo João Mohana, não basta amar para ser feliz no casamento. Por isso, um individualista não experimentará a profundidade da experiência conjugal. Fatalmente, tem-se aí a matéria-prima de muitas crises.

Não à toa, os padrões de dupla moralidade aparecem nas definições do homem ocidental, que apesar de casado não deixe de praticar uma livre sexualidade baseada no poder do gênero: ser homem é estar pronto para transar. O treinamento da sexualidade masculina é bem diferente da criação feminina. De forma geral, elas são criadas para serem a metade do casal e eles predadores sexuais: ativos, assertivos, não-verbais, assumidores de riscos.

Os efeitos práticos dessas experiências são seres humanos dependentes de sexo e afeto.

Observação: as imagens que ilustram este post são frames do filme ‘Antichrist’ cometido pelo cineasta dinamarquês Lars von Trier.

 

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