Intolerância religiosa

Você é religioso?!

Que louco esse tal de Nietzsche…

Ganhei no final do ano passado um presente: “A genealogia da Moral” do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Lancei-me a leitura dos tratados contidos no livro sufocando qualquer expectativa que eu viesse a ter, porém nas primeiras páginas me encontrei diante de uma escolha difícil, por causa da aridez textual: assistir um filme ou explorar o material que tinha em mãos. Minha opção é evidente, não? O objetivo geral do autor é responder a seguinte questão: o bom e o mau como ações existem em uma consciência má ou seriam simplesmente figuras inventadas pelos espíritos que se consideram superiores para poder escravizar os espíritos inferiores? Para tanto, estabelece três tratados para tecer uma dura crítica à moral.

Dada minha limitação precisei reler trechos incompreensíveis e dissonantes e depois de algumas horas dei conta de que estava questionando meus valores em relação ao bem e o mal, e conseqüentemente minha fé. A repercussão e influência dos controversos escritos de Nietzsche podem ser entendidas pela ausência de “bom senso” do autor em temas relacionados ao judaísmo, cristianismo e islamismo. Se num instante ele indica serem estas religiões as responsáveis pela deturpação da moral, logo em seguida afirma que a moral independe delas.

O bem e o mal, escravizando o homem, inferiorizando-o à rótulos como perverso, pecador, imoral são instrumentos de tortura que geraram os distúrbios que hoje afetam a sociedade. O homem briga consigo sendo que o mal não existe; que dirá o bem: são eles, o bem e o mal meros regulamentos, limitadores ou parâmetros opressores.

Nietzsche distingue a decadência da humanidade desde o período neolítico, ou seja, esse “animal de rebanho” chamado ser humano está fadado ao resultado do trágico duelo entre as forças além da moral, capazes de criar e destruir, dar vida e levar a morte.

Senti falta, durante a sessão de sadismo auto-infligida, de um dicionário dos principais conceitos. Talvez conseguisse absorver a agressividade de suas idéias se eu pudesse fugir por alguns minutos para uma síntese do seu trabalho cruel: fritar meus neurônios. Em alguns momentos fica clara qual a linha argumentativa de Nietzsche, porém no meio do caminho parece que ele volta apagando todas as pegadas deixadas.

Apreendo mais claramente o porquê de algumas pessoas repercutirem algumas de suas principais frases sem ao menos terem lido algo dele: é mais fácil usar o Ctrl+C e fingir compreender o que ele quis dizer com aquela síntese frasal retirada de uma pesquisa de segundos no google. Para Nietzsche podemos passar muito bem sem as curiosidades e complexidades do espírito moderno onde tanto achamos motivo para ir e chorar.  A vontade da verdade, uma vez que seja consciente de si mesma, será a morte do mal.

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