Não, não está tudo bem…

Ninguém gosta de ser contrariado – isto é um fato. Muito menos alguém que produz alguma coisa, que coloca seu talento (ou o que passa por talento) num projeto especial, e que espera um bom retorno desse esforço. Eu mesmo, por mais zen que minha profissão tenha me treinado para ser, fico de certa forma incomodado quando a resposta das pessoas a um trabalho meu não é exatamente a que eu esperava. Porém, uma crítica, quando é bem feita, é a melhor coisa que poderia acontecer para um artista – ou qualquer produtor cultural. Vou pedir ajuda a um certo escritor (que já conto quem é) para explicar melhor o que quero dizer:

“Exercer a crítica afigura-se a alguns que é uma fácil tarefa, como a outros parece igualmente fácil a tarefa do legislador; mas, para a representação literária, como para a representação política, é preciso ter alguma coisa mais do que um simples desejo de falar à multidão. Infelizmente, é a opinião contrária que predomina, e a crítica, desamparada pelos esclarecidos, é exercida pelos incompetentes”.

Se você é um dos 786 críticos de TV – ou de qualquer coisa – que povoam aquilo que já foi chamado de “território livre da internet”, não tome as palavras acima como uma crítica pessoal. Afinal, elas foram escritas há mais de um século – mais precisamente em 1865. E por ninguém menos do que Machado de Assis. Encontrei este texto por acaso, num recente lançamento da Penguin com a Companhia das Letras: “O jornal e o livro” – um dos primeiros modestos volumes da coleção “Grandes ideias” (como já existe na Penguin inglesa – aliás, eu lamentaria que as capas da coleção daqui não têm a originalidade das de lá, mas você vai achar que eu estou divagando…). Mas achei curioso como ele veio bem ao encontro de algumas coisas que eu vinha pensando recentemente sobre a crítica nos tempos de hoje.

(Antes de continuar, falo mais uma vez aos 786 críticos de TV da internet: a citação foi uma brincadeira – quase uma homenagem. Minha intenção era parafrasear o grande Paulo Francis, que gostava de brincar que, no seu tempo, a “Folha de S.Paulo” tinha 300 críticos de cinema – não tenho muita certeza se o número que ele dizia era esse, mas vale a lembrança. Fico pensando o que Paulo Francis, com quem tive o prazer de trabalhar diretamente quando fui correspondente da própria “Folha” em Nova York, em 1988, faria desse “mar de críticos” que navegam sem bússola pela internet. Mas eu divago – assumo! Deixa o Francis para outro dia…).

Minhas elaborações sobre a crítica cultural atual partiram de três artigos que li recentemente – um sobre literatura, outro sobre TV, e o último sobre rock. No primeiro deles, Geoff Dyer (um escritor que admiro muitíssimo), nas páginas do “Sunday Book Review” (do jornal “The New York Times”), desbanca um livro que foi laureado no ano passado com o prestigioso Man Booker Prize – e celebrado aqui mesmo neste espaço: “The sense of an eding”, de Julian Barnes. Em um texto curto, Dyer tem a ousadia de criticar não apena o aclamado Barnes, mas todo o cenário da literatura inglesa atual.

“(O livro) não é terrível, é apenas tão… mediano. É medianamente atraente (eu o terminei), demanda uma quantidade mediana de concentração e, se é que isso faz sentido, é medianamente bem escrito: excelência mediana!”, escreve Dyer. E, mesmo relutando em concordar com ele – eu insisto: gostei muito do livro e continuo gostando -, o artigo me fez pensar. Menos sobre o livro em si, mas na coragem de Dyer em se levantar para contrariar um “senso comum”. Entregar-se a ele, a esse senso comum, é a pior coisa que poderia acontecer a um crítico. Mas a maioria deles parece não estar nem ligando… Cito o mesmo texto de Machado mais uma vez:

“Sem a coerência perfeita, as suas sentenças (do crítico) perdem todo o vislumbre da autoridade, e abatendo-se à condição de ventoinha, movida ao sopro de todos os interesses e todos os caprichos, o crítico fica sendo o oráculo de seus aduladores”.

E mais uma vez me espanto em ver como Machado continua atual. Numa inversão perversa que só a internet seria capaz de trazer, criar um assunto polêmico hoje – para quem é blogueiro (como eu sim, quem disse que eu estou imune a isso?) ou colunista – é quase que um objetivo maior do que a qualidade do próprio texto que ele escreve, uma vez que o que conta é o número de cliques (ou de comentários) e não o que está sendo realmente dito. Como sabemos, muita gente responde apenas ao título de uma coluna, vai direto aos comentários, e ali começa uma discussão inócua, desprendida do próprio texto original – mas que faz a alegria do blogueiro (ou do colunista), porque afinal, isso cria tráfego… Os conselhos de Machado, para que uma crítica seja “sincera, sob a pena de ser nula”, soam como um apelo distante, mas, novamente, não poderiam ser mais atuais.

Mas há esperanças. Um outro texto que li na revista do jornal “The New York Times” teve a “coragem” de criticar de frente os seriados de TV supostamente inteligentes. Para Heather Harvrilesky, a autora do artigo, “Lost”, mais que um marco, foi uma praga para os escritores do formato na TV americana, porque condicionou um geração inteira a assistir uma temporada completa de um seriado sem que uma solução plausível para toda a trama fosse oferecida no final. De fato, “Lost” – que acompanhei religiosamente – foi uma decepção crescente, culminando com um desfecho que era bem aquém do que até o fã mais dedicado poderia esperar… E a moda pegou!

Havrilesky cita três outros seriados que foram bastante elogiados e bem recebidos pelo público na atual temporada de televisão nos Estados Unidos – “The killing”, “Homeland” e “American horror story” (que se não me engano podem ser vistos na TV a cabo por aqui) – como exemplos de tudo que está errado hoje em dia com esses roteiros. Para ela, a “era de ouro” desses seriados já está ficando bem para trás – “A sete palmos”, “Os Sopranos”, “Breaking bad” – enquanto que a audiência atual se contenta com migalhas, como ratos que ao fim de um labirinto entra alegremente em outro sem saber se vai ter saída (a citação é da autora).

Quem é que tem coragem, hoje em dia (especialmente aqui no Brasil), de fazer uma análise séria e contundente do que acontece na TV? A maioria dos ditos críticos já se dão por contentes de papagaiar o próprio universo “trash” que a maioria das atrações que atraem algum público oferece. Quer um exemplo recente? Virtualmente ninguém resistiu comentar sobre a estreia recente de “Mulheres ricas”… Um programa com uma “relevância”… E nesta semana mesmo vamos poder verificar o fenômeno acontecendo de novo – e com uma cruel distorção. “BBB 12″ e “Dercy de verdade” estreiam nesta terça-feira. Qual dos dois programas você acha que vai ser mais “analisado” pelos “críticos de plantão”?

Atenção espertinhos! Não estou “dando uma alfinetada” no “BBB”, como você já deve ter twittado… Como alguém que já inclusive apresentou um “reality show”, tenho a maior consideração pelo gênero, e em especial pelo “BBB”, que simplesmente domina o imaginário pop do brasileiro – basta ver a reação de ojeriza que o “pobre” advogado que pediu para sair antes do programa começar sofreu com sua decisão… A questão que estou querendo levantar é sobre os verdadeiros motivos que movem esses “críticos”, se eles estão mesmo preocupados em “olhar para a televisão” ou simplesmente atrair leitores – ou melhor, cliques, já que, como sugeri anteriormente, poucos são os que passam os olhos de fato pelo texto… Diga lá, ó Machado:

“O crítico deve ser independente – independente em tudo e de tudo -, independente da vaidade dos autores, e da vaidade própria”…

Ah, a vaidade dos críticos… Quem vai querer deixar de ser adulado pelos próprios artistas, autores, criadores, que se escreve? Se isso já vale para a televisão, imagine para um universo onde a simbiose entre crítica e a artista é ainda mais libidinosa: o da música pop. Um texto comoesse outro que encontrei também no “The New York Times” – no caderno “Arts and Leisure” – é uma raridade. Afinal, seu autor, Jon Caramanica, teve a coragem de falar que a criação recente do rock americano está simplesmente estagnada. Isso mesmo – olha que ousadia! As bandas de maior sucesso de 2011? Sublime With Rome? Foster the People? E até mesmo os atuais queridinhos dos alternativos, os Black Keys? Tudo uma bobagem. Ou nem isso! Tudo muito normal!

Como no caso do argumento de Havrilesky, Caramanica pega como referência um passado recente: há menos de uma década, estávamos nos deliciando com bandas realmente revolucionárias como The White Stripes e The Strokes (e pode colocar até um certo Franz Ferdinand nesse pacote!). Mas hoje? Só essa “meia bomba” de artistas que não estão muito preocupados em mudar nada… Aqui no caso também é fácil fazer um paralelo com o cenário brasileiro. Você vê alguém escrevendo algo realmente sério sobre, por exemplo, o novo disco de Maria Gadú? Quando muito o que temos é um arremedo triste daquela crítica que apela mais para a ironia (e “flamboyance” do seu autor), que começou a surgir no final dos anos 8o e cresceu como uma Hydra nos anos 90 – nos terrenos férteis dos cadernos culturais dos principais jornais brasileiros deste período. Agora todo mundo faz gracinha em suas crítica – lógico! É o melhor jeito de chamar atenção: tirar uma frase engraçada para virar um título chamativo na cacofonia de uma primeira página de portal na internet. Agora um texto mesmo, falando dos (visíveis) problemas da maioria dos recentes lançamentos musicais no Brasil – desculpe, mas não vi. Nem mesmo sobre a sensacional obra-prima de Gal Costa, “Recanto” (sobre a qual quero escrever aqui em breve).

Está tudo meio mais ou menos – tanto do lado de quem faz, como do lado de quem analisa (ou critica). E por isso mesmo eu quis aqui fazer o mesmo manifesto. Sobre o qual, como sempre, você está convidado (convidada) a discordar – ou mesmo concordar! Mas sem cair nas mesmas tentações que mencionei acima, vamos combinar? Para encerrar também com Machado, faço eco ao seu desejo de outrora:

“Quanto à crítica dominante, como não se poderia sustentar por si – ou procuraria entrar na estrada dos deveres difíceis, mas nobres – ou ficaria a conquistar, de si própria, os aplausos que lhe negassem as inteligências esclarecidas”.

O refrão nosso de cada dia
“Seconds”, Little Dragons – de uma das bandas que fez um dos melhores discos que você NÃO ouviu em 2011, uma música que é um refrão musical em “loop” do começo ao fim. Não tenho ideia quem montou essas imagens de Brigitte Bardot sobre essa faixa, mas o casamento foi perfeito. Confira!

Originalmente publicado aqui

Uma missa

O conto Missa do Galo de Machado de Assis, originalmente publicado em Páginas recolhidas (1899), é narrado por Nogueira, um jovem de dezessete anos de idade que veio ao Rio de Janeiro para estudar. Ele mora em Mangaratiba, porém está hospedado na casa do escrivão Menezes, que havia sido casado com uma de suas primas. Menezes é viúvo, e casado pela segunda vez com Conceição, considerada uma “santa”, pois se acostumou com uma relação extraconjugal do marido, que dorme fora de casa uma vez por semana, sob o pretexto de ir ao teatro. Como personagens adjuvantes apresentam-se Dona Inácia, mãe de Conceição, e duas escravas.

A narrativa ocorre na véspera do Natal, numa das noites em que Menezes vai ao teatro. Nogueira combina com um vizinho ir à missa do galo e que o acordará à meia-noite. Enquanto espera esse amigo na sala da frente, lê um romance, Os três mosqueteiros, quando ouve se aproximar Conceição. Eles conversam sobre assuntos variados, e o tempo passa. A conversa rende produzindo risos altos, por isso eles decidem se aproximar e falarem baixo para não acordar D. Inácia. Contraditoriamente, o vizinho grita na rua que é hora da missa do galo e Nogueira tem de ir. Depois deste dia, Conceição conserva seu antigo modo de ser, sem de longe lembrar a intimidade da noite anterior. No Ano Novo, ele volta para Mangaratiba. Em março, volta para o Rio de Janeiro, entretanto o escrivão havia morrido. Jamais encontrou Conceição novamente, soube depois que ela havia se casado com o escrevente do marido.

Ao iniciar a narrativa com a frase “Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta”, Machado de Assis explora a descoberta de um novo mundo por Nogueira. O encontro enigmático com uma mulher, Conceição, é apenas uma das partes dessa descoberta. A referência religiosa do título é enganosa, pois o interesse de Nogueira pela missa é outro. Não somente pelo título, como pela estrutura narrativa, Machado apresenta pistas que criam o caráter enigmático do conto. Um exemplo desse caráter é o que ocorre com quando, por curiosidade, pede ao escrivão que o leve, quando este diz certa noite que irá ao teatro. O silêncio de Menezes, os risos das escravas e a atitude de D. Inácia fazem com que ele perceba algo de estranho, algo que ele precisa elucidar. Esse novo mundo explorado por Assis evidencia-se na cena principal, o encontro casual, ou não, de Nogueira com Conceição. Ele perceberá que no mundo adulto as atitudes são proporcionais às situações. Ao se transformar de “santa” (outro termo religioso, com duplo sentido, pois não evoca a santidade e sim a complacência, a submissão da mulher ao marido, o tapar dos olhos frente à desilusão) para alguém capaz de rir, sonhar, de falar de suas lembranças, passando a ter vida, quando Nogueira percebe que “Tal foi o calor de minha palavra que a fez sorrir”. Não somente a transformação de Conceição ocorre como também a de Nogueira, que ao passo da conversa, irá transformar-se num homem, com toda sua complexidade de emoções, e virilidade acentuada. A aproximação dos dois se dá fisica e progressivamente, o vulto torna-se uma mulher, sensual. E está claro que o jogo proposto é consensual, “E não saía daquela posição que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras”.

Há indicações de biógrafos que Machado de Assis considerou que suas obras revivessem em vez de ficarem fadadas ao esquecimento dos leitores mais exigentes, concordando com Calvino que pontifica ser um clássico “ aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível” (2004, p. 15)”. O tema do despertar da sexualidade não era novo na literatura brasileira, entretanto a forma com que Machado considera suas nuances e a elegância de sua escrita descrevem, mesmo nos dias atuais, o que se passa com um adolescente ou jovem quando de sua iniciação sexual. Sendo assim, Perissé considera que,

a arte de ser original, e, concretamente, de escrever de maneira original, consiste na capacidade de repetir o que alguém já disse, de renovar o que alguém já pensou, já expressou, e fazê-lo de uma forma reconhecidamente inédita (PERISSÉ, 2003:www.hottopos.com/videtur18/gabriel.htm).

A sensualidade do encontro dos dois, ou do ponto de vista do personagem principal, é proposital e contrapõe-se ao que se possa imaginar ao ler o título do conto. De um lado está Conceição, consciente de sua sensualidade, do que é capaz de provocar no outro. Explica-se sua postura anterior dada a limitação das regras de comportamento que deve obedecer. Conceição havia adotado a conduta rígida, escondendo sua sensualidade. O contato com o estudante, o desconhecido, em uma situação casual cria a possibilidade de outro mundo. A racionalidade é colocada em segundo plano, trazendo o desejo ao centro da ação. Explicitasse essa realidade no conto quando Nogueira percebe que  “Não estando abotoadas, as mangas, caíram naturalmente e eu vi-lhe metade dos braços, muito claros e menos magros do que se poderiam supor”

Essa troca, esse jogo, essa aproximação só é possível, pois do outro lado temos Nogueira, em toda sua inocência. É seu olhar de interesse que permite a revelação da nova Conceição. Seu despreparo para dominar situações como esta, é solo fértil para brotar toda a variedade de emoções, próprias do desejo. Porém ele é forçadamente tirado dessa experiência, afinal, ele tem de ir à Missa do Galo. Mas é na igreja que a subjetividade religiosa da proposta de Assis fica clara, quando a figura de Conceição, mais de uma vez, se interpõe entre ele e o padre. Sua auto-absolvição fica por conta de seus dezessete anos, entretanto ao “confessar”, ele está assumindo sua condição de homem, por isso não justifica a argumentação da inocência.

Para Pelizzaro, essa dissimulação é a arte de fingir, ou melhor, do propósito de ludibriar a outrem que se encontra no cerne das posições adotadas em momentos distintos pelo escrivão e por sua esposa, respectivamente. Os fragmentos há pouco evocados permitem inferir que Machado amplia as indefinições textuais do conto. O narrador não transmite com segurança ao leitor as informações atinentes à situação que vivenciara na casa de Menezes. Há uma precariedade que influi não apenas no funcionamento da memória de Nogueira, dificultando a recuperação do fato, mas que atua igualmente no seu esforço em compreendê-lo.

O conto Missa do Galo apresenta seu caráter enigmático, ao propor inúmeras leituras e interpretação, sendo esta apenas uma dela. Qual a mensagem, qual significado é maior, quais conflitos devem ser resolvidos, quem foi que provocou, quem foi que cedeu, o que ficou subentendido, são estas as questões que Machado de Assis evoca. A cumplicidade do leitor é necessária para atenuar as regras do jogo, que colocadas de outra forma, pareceriam propositais. Principalmente por causa de o conto ser narrado em primeira pessoa, o leitor pode se colocar no lugar do narrador e se tornar cúmplice do desenvolvimento da narrativa. Ao jogar com as emoções do jovem e da mulher, as defesas das personagens centrais serão realizadas se tomados os mais diversos pontos de vista propostos por Machado de Assis.

Os fatos narrados pelo autor, no leva a pensar sobre a questão da traição. Se a Igreja da época, bem como a sociedade, entendia traição tanto como desejo de trair, como o fato propriamente dito, as insinuações e interpretações possíveis entre as personagens principais, também caracterizam adultério. Machado de Assis tenta incomodar o leitor quando apresenta a complexidade da temática fidelidade e traição. O conto, ainda na visão de Pelizzaro expõe as fragilidades de um jovem que mal sabe lidar com as circunstâncias oriundas da manifestação de um sentimento amoroso, a dificuldade de uma esposa em ter um sono tranqüilo na noite em que o marido não dorme em casa porque vai ao encontro da amante, e a tentativa de uma mulher casada em seduzir o hóspede sem ser flagrada por sua mãe, já que não quer deixar qualquer vestígio de uma possível transgressão às convenções sociais.

O autor não pretende, em momento algum, estabelecer a verdade absoluta, muito pelo contrário, visto que a verdade depende do ponto de vista de quem avalia, flertando com o relativismo moderno. Se Nogueira, o narrador, nunca conseguiu entender a conversa entre ele e Conceição, é evidente que se torna perigosa qualquer leitura ou análise apressada e descuidada. Por isso, é possível apenas especular sobre os possíveis desdobramentos da trama, neste caso, o encontro mais que subjetivo e intencional entre Nogueira e Conceição. E somente esse aspecto eleva Machado de Assis ao lugar comum e quase unânime: o autor não é somente um grande escritor brasileiro, sua obra tem caráter universal.

Referências

ASSIS, Machado de et al. Missa do galo: variações sobre o mesmo tema. São Paulo:

Summus, 1977.

CALVINO, Ítalo. Por que ler os clássicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

PERISSÉ, Gabriel. O conceito de plágio criativo. Disponível em:

<www.hottopos.com/videtur18/gabriel.htm>. Acesso em: 20 nov. 2007.

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