O impacto das séries norte-americanas no cenário brasileiro

A televisão, na última década sofreu queda em a sua audiência por conta do acesso cada vez maior a outros tipos de mídias, como a Internet e seus desdobramentos. Sendo assim, a cada ano uma nova proposta, uma nova novela ou série pretendem ser divisores ou marcos para uma sempre nova revolução (. No cenário norte-americano as possibilidades de criação na TV são inigualáveis às temáticas cinematográficas, porém no caso brasileiro, especialistas sempre apontam a fórmula novelística e os programas dominicais com auditório como causa para não se produzir séries, isto é, esses modelos são rentáveis e em time que está ganhando…

O que realmente há de novo na televisão brasileira, fazendo o recorte que não inclui a TV por assinatura, em que raríssimos canais exibem realmente programação criativa e diferenciada? A entrada de séries norte-americanas nos horários dito nobres é o que realmente se observa de novo. Numa cultura em que a identidade cultural não é mais estável, a aceitação de séries como C.S.I traz referências que são ignoradas pelo telespectador brasileiro. Para ficar num só exemplo, não contamos com uma super-ultra-especializada polícia criminalística, como a de Grissom e sua equipe, nem temos a cultura em que as provas são justificativas para prisão, aqui o acusado empreende uma epopéia para provar sua inocência. Além disso, esses produtos importados penetram de tal forma que colaboram para uma espécie de transferência de realidade criando uma sensação, pelo menos de uma hora, de que tudo está sob controle. Basta puxar pela memória os lostmaníacos brasileiros e sua devoção a série Lost capaz de aparecer no trabalho, na sexta-feira, pois ficou em vigília, termo utilizado para aqueles que esperam a disponibilização da série via download.

Não se trata aqui de criticar estas séries, até porque o autor deste post é um consumidor voraz das atuais House, The Big Bang Theory, Dexter, Fringe, das já mortas Lost, X-Files, Friends e uma série de outras séries (desculpem o forçado trocadilho). Pelo contrário, não entendo porque nossas séries não recebem o mesmo tratamento de qualidade (produção, roteiro, elenco, temática) que os da América de cima. Sim, é mais barato comer um prato pronto num restaurante do que empreender tempo na compra e no cozimento do mesmo em casa. É claro que saí mais vantajoso para as grandes emissoras comprarem um produto pronto do que investir num projeto de risco, mesmo assim, não compreendo.

O resultado é a presença ainda maior da cultura norte-americana do que cinema, só perdendo para música, ainda mais com a possibilidade de baixar as séries (todas elas) e assistir quando, onde e como quiser. O “way of life” está ali, sempre a nos lembrar as disparidades culturais, sociais e a extensão dos tentáculos de uma ideologia. Isso pra quem é capaz de consumir entretenimento e pensar em todas estas questões. Não, não é o meu caso.


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