Caché

Demorei alguns anos para assistir Caché, do austríaco Michael Haneke. Nele, Georges (Daniel Auteil) e sua esposa (Juliette Binoche) começam a receber fitas de vídeo com imagens de sua casa e desenhos sinistros de alguém misterioso que parece conhecê-los muito bem. Uma premissa que faria qualquer desavisado começar o filme pensando ser um filme de terror. Nada mais enganoso. Caché trata de questões mais profundas, e o mais perto que chega de um clima de suspense é durante suas quase 2hs não responder a nenhuma pergunta, inclusive a sua própria.

Se a abertura do filme  é enigmática, suas duas últimas cenas são tão abertas à interpretação que invalida qualquer tentativa de aproximação com o entretenimento. Está mais para uma tela em que os elementos tiram de seus espectadores as mais diferentes reações. Não é um filme fácil, não de se entender, mas de digerir.

Essa abertura à possibilidade interpretativa faz  o prato cheio de muitos críticos de cinema, que do alto de sua sabedoria, tecem inúmeros outros planos de fundo para explicar o filme, esvaziando deste sua beleza. Por isso, mais que ver cinema, você se vê em Caché.

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