Desejos

Queria ter uma dessas na minha casa…

O que tem de errado com este texto???

Deus te tão perfeito conheceu a plenitude do tédio. De tão cercado pelo idêntico a si mesmo, incapaz de dizer por que hoje não é apenas um reflexo de ontem, sem jamais ter sonhado com um outro dia, enfadado com a previsibilidade de um mundo impecável, inventou o amor. Ou seria, preferiu amar?[..] Deus, que do absoluto fugiu em desespero, que inventara o imperfeito, imperfeito se fez. Inventou-se entre os incertos. Aperfeiçoou a imperfeição. Humanizou-se entre humanos. De tão impreciso, despido das forças do absoluto, igualmente inapreensível, excepcionalmente frágil, tão vivo e tão morto, descortinou o absoluto como quem desnuda o que é mau. Imperfeito, salvou-nos da perfeição.

(Elienai Cabral Jr.)

Nosso maior medo

“Nosso maior medo não é de sermos inadequados. Nosso maior medo é que nós somos poderosos além do que podemos imaginar. É nossa luz, não nossa escuridão que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser brilhante, lindo, talentoso, fabuloso? Na verdade, quem é você para não ser?

Você é um filho de Deus. Você pensando pequeno não ajuda o mundo. Não há nenhuma bondade em você se diminuir, recuar para que outros não se sintam inseguros ao seu redor. Todos nós fomos feitos pra brilhar, como crianças brilham. Nós nascemos para manifestar a glória de Deus dentro de nós. Não é somente em alguns de nós; é em todos. E enquanto nós permitimos que nossa própria luz brilhe, nós inconscientemente damos permissão a outros para fazer o mesmo. Enquanto nós nos libertamos do nosso próprio medo, nossa presença automaticamente liberta outros.”

Nelson Mandela – Trecho do discurso de posse em 1994

Religiosidade estúpida

Em “Para curar um mundo fraturado” (Séfer), o Rabino Jonathan Sacks conta algo assim:

“Os chassidim contam uma história sobre o segundo Rebe de Lubavitch (o “Mitteler” Rebe). Certa vez, ele estava tão concentrado em seus estudos que não escutou seu filho pequeno chorar. Mas o avô (Rebe Shneur Zalman de Liadi) ouviu, desceu as escadas, pegou o bebê no colo e ninou-o até que voltasse a dormir. Aproximou-se então de seu filho, ainda imerso nos livros, e disse: ‘Meu filho, não sei o que você está estudando, mas se o deixa surdo ao choro de uma criança, não é a Torá’. Viver a vida da religiosidade é ouvir o lamento silente dos aflitos, solitários, marginalizados, pobres, doentes, impotentes – e responder.”

Sonhos interrompidos

Estes sonhos forma interrompidos em recente de tragédia em Realengo/RJ. Oremos pelas famílias e também pelas 10 mulheres que em média são vítimas de violência doméstica e também pelas 160 pessoas que morrem diariamente vítimas de maus condutores, que têm entre 21 e 30 anos de idade. Enfim, porque ficamos chocados com o que aconteceu em Realengo e não somos capazes de denunciar um abuso ocorrido em nosso condomínio, bairro, etc ???

Luiza Paula da Silveira, 14 anos

Luiza estava no 8º ano do Ensino Fundamental e sonhava em ser modelo fotográfico. “Ela adorava tirar fotos e colocar no Orkut”, contou a tia dela, Cristiane da Silva Machado Gomes. Luiza era fã de Ivete Sangalo. “Tem uma música da Ivete, que fala em sol, terra, mar, que ela adorava. E essa música dizia: ‘Quando a chuva passar…’ Parece que ela sabia o que ia acontecer, e ela queria deixar essa mensagem. Acho que é essa música que vai ajudar a consolar a gente.” A estudante fazia aulas de inglês e adorava ir à academia de ginástica. “Ela estava malhando com a prima, que é minha filha. As duas estavam querendo ficar em forma para o aniversário de 15 anos dessa minha filha”, disse a tia.

Karine Chagas de Oliveira, 14

Karine era uma menina muito carinhosa, de acordo com Ana Paula Oliveira dos Santos, tia da estudante. Ela diz que a sobrinha vivia com a avó desde pequena. “Minha mãe está em estado de choque. Ela cria a Karine desde dois anos de idade”, conta. A aluna do 8º ano da Escola Municipal Tasso da Silveira tinha acabado de começar a praticar atletismo na Escola Militar, em Sulacap. “Ela fazia atletismo em um curso oferecido pela PM. Na semana que vem, ela iria pariticpar de uma prova no Estádio Célio de Barros, no Maracanã”, conta Débora Martins, tia de Karine. “Ela era botafoguense, mas gostava muito do Neymar (jogador do Santos e da seleção brasileira)”, acrescenta. “Para continuar praticando atletismo, ela precisava se esforçar na escola. E estava empolgada, tirando boas notas”, complementou.

Larissa dos Santos Atanázio, 13

Larissa era uma menina muito brincalhona, simpática e inteligente. Assim Daniele Azevedo define a prima que foi vítima do atirador na escola em Realengo. Segundo Daniele, Larissa, que aparece na foto ao lado posando de modelo, estudava na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, há dois anos. “Ela gostava muito de ir à aula”.

Rafael Pereira da Silva, 14

O pai, Carlos Mauricio Pinto, se emociona ao lembrar do filho. Rafael era aluno do 9º ano da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo. Ele foi um dos dois meninos mortos pelo atirador. As outras dez vítimas assassinadas eram meninas. “Pela quantidade de pessoas que vieram ao enterro, vocês podem ver que ele era muito querido”, disse Wagner Assis da Silva, de 35 anos, irmão de Rafael. “Ele estava tirando o CPF para trabalhar como menor-aprendiz, em uma rede de supermercados. Ele já queria ganhar o dinheirinho dele”, acrescentou. “Ele era mais caseiro, jogava muito no computador e gostava de rock. Ele ouvia muito a banda Linkin Park”, finalizou.

Samira Pires Ribeiro, 13

Samira havia entrado este ano na Escola Municipal Tasso da Silveira, de acordo com a irmã dela, Valéria Pires. A estudante estava no 8º ano e gostava muito de ir às aulas. A morte deixou a família muito abalada. “Minha mãe está em estado de choque”, disse Valéria.

Mariana Rocha de Souza, 12

A menina Mariana foi uma das vítimas do assassinado na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo. “Ela era muito brincalhona, gostava de Restart e Luan Santana. Ela jogava handebol e queimada no colégio e era muito estudiosa”, disse o primo de Mariana, Josimar Nunes, de 12 anos.

Ana Carolina Pacheco da Silva, 13

Ana Carolina foi a última das vítimas a ter o corpo reconhecido. A família da estudante esteve no IML em busca da menina, mas não a reconheceu entre os corpos. A irmã, Ana Paula, disse que ela estava desaparecida desde a manhã de quinta-feira (7) e que iria continuar procurando por ela pelos hospitais da cidade.Após a confirmação da morte, a família ficou em estado de choque.

Bianca Rocha Tavares, 13

O sonho dela era ser pediatra. Ela gostava muito de crianças”, disse o tio da menina, Ricardo Goulart.

Géssica Guedes Pereira, 15

“Ela jogava vôlei no colégio, gostava de estudar e de dançar funk. Era uma boa colega de sala”, disse Camile Nascimento, de 18 anos, irmã de uma colega de turma de Géssica.

Laryssa Silva Martins, 13

“A Laryssa era uma menina meiga, tranquila e queria ser marinheira. Ela queria ganhar dinheiro para ajudar o pai, que é aposentado”, contou o padrinho de Laryssa, Gerson da Silva, de 47 anos.

Milena dos Santos Nascimento, 14

“O sonho dela era fazer faculdade e ser modelo”, disse a tia de Milena, Ana Rosa Nascimento.

Igor Moraes da Silva, 13

“O sonho dele era ser jogador de futebol”, conta Walmir de Souza Macedo, coordenador da Escolinha de Futebol Roberto Dinamite, onde Igor jogava. “Ele era franzino por causa da idade, mas tinha qualidade, talento. Começou como lateral e já tinha passado para o meio campo”, acrescenta. Igor era flamenguista e, em março, foi vice-campeão de um campeonato de futebol realizado no condomínio onde morava. “Ele sempre me fazia companhia para ir ao treino e voltar, pois moro no mesmo condomínio onde ele morava. Para mim vai ser difícil não encontrar mais com ele”, disse Macedo, com a voz embargada. “Na véspera da morte dele, o Igor estava muito feliz, pois a gente tinha acabado de ganhar chuteiras novas na escolinha”, finalizou.

Fonte: G1

Receita…

Texto originalmente escrito por Charles Kiefer, em seu blog.

1. Ninguém nasce escritor, torna-se escritor. E o que leva alguém a se transformar em escritor é a genética e a cultura. A primeira é destino, a segunda – é conquista. Para a primeira, ainda não temos solução. Para a segunda, basta a vontade, o desejo de ser. Como dizia Jean Paul Sartre, um ser humano será, acima de tudo, aquilo que tiver projetado ser.

2. Vontade sem ação é devaneio. Para de sonhar e age. Escrever é como nadar, como andar de bicicleta – é preciso movimentar os braços, movimentar as pernas. No caso da escrita, é preciso movimentar o cérebro.

3. O melhor exercício para o cérebro é a leitura. Além de nos transformar em escritores, a leitura é importante para a saúde, evita o Mal de Alzheimer.

4. Um escritor não precisa ser um lobo solitário, como pregava Hermann Hesse. Pode – e deve – freqüentar cursos acadêmicos, oficinas literárias. Aliás, hoje em dia, é aconselhável que pretendentes à escritura evitem o romantismo e as idéias feitas.

5. Desde o tempo de Platão e Aristóteles, só há dois tipos de escritores, os idealistas e os materialistas, e não há conciliação entre os dois. Há extraordinários escritores idealistas e péssimos escritores materialistas, e há extraordinários escritores materialistas e péssimos escritores idealistas.

6. Ser um escritor idealista ou materialista é só uma questão de ideologia, de visão de mundo. Evite, apenas, o panfletarismo, que é o uso servil das idéias. Não existe literatura isenta, politicamente. Na estrutura profunda de um texto, a ideologia sempre se manifesta. Na estrutura aparente, ou de superfície, o que importa é a técnica.

7. Só existem bons e maus escritores, no sentido técnico. O que são bons escritores – ainda não sabemos. O que são maus escritores nós o sabemos sobejamente.

8. São maus escritores aqueles que constroem histórias desconexas, de temas inexpressivos e estereotipados, em estilo adiposo, desajeitado, flácido, sem harmonia e sem sutileza, com cenas e situações inverossímeis, compostas com descrições desnecessárias e sem articulação com a narração, e arrematadas com diálogos artificiais e inúteis.

9. Todo escritor é um vir a ser. Acreditar-se pronto e acabado é o princípio da morte autoral. A obra prima pode ser a primeira, a décima segunda ou a última obra de um determinado autor. Quem assina a obra completa é a morte. Enquanto vivo, o escritor é um ser em construção. Por isso, o orgulho e a vaidade são extremamente perigosos. Quem sacraliza o próprio texto pode inventar uma nova religião, mas não uma grande literatura.

10. Um escritor somente é escritor quando menos é escritor, no instante mesmo em que tenta ser escritor e escreve. Na absoluta solidão de seu ofício, enquanto a mente elabora as frases e a mão corre para acompanhar-lhe o raciocínio, é escritor. Nesse espaço, entre o pensamento e a expressão, vibra no ar um ser sutil, fátuo e que, terminada a frase, concluído o texto, se evapora. Nesse átimo, o escritor é escritor. Aí e somente aí. Depois, já é o primeiro leitor, o primeiro crítico de si mesmo e não mais escritor.

Fonte: Livros só mudam pessoas

O problema é que você lê pouco

Dias atrás fui surpreendido com a confusão gerada por conta de um tweet postado em meu perfil no Twitter. Um dos meus seguidores, além de não ter entendido o que eu havia escrito, passou a responder à mim pedindo para que eu fosse mais claro em minhas colocações. Embora não haja, neste post, qualquer intenção de examinar o conteúdo da mensagem no Twitter, o fato é que, depois de analisado várias vezes, não identifiquei qualquer falta de sentido, entretanto localizei o causador da pequena confusão: uma ironia colocada em entrelinhas…

Este é somente um “micro” exemplo das proporções geradas por conta da leitura feita de maneira rasa, sem qualquer interesse em aprofundar-se nos sentidos ou múltiplos sentidos. A geração da informação quer todo o conteúdo mastigado e explicado em seus mínimos detalhes, porém ao mesmo tempo deve ser bem pequeno (não mais do que 140 caracteres) para poder ser processado na velocidade em que se procura outra informação. E o processo de introjetar mais e mais informação certamente tem efeito negativo no entendimento da mensagem. Não há mais reflexão acerca de um tema, apenas o consumo de palavras sem qualquer interesse em se degustar suas qualidades.

Mesmo aqueles que se defendem argumentando que lêem muito, na verdade fazem uma leitura parcial dos acontecimentos. Um exemplo: a partir do momento que somente um jornal ou um canal de televisão é o responsável por abatecê-lo de informação, o desencadeamento de uma parcialidade nos comentários é inevitável. É preciso conhecer os dois lados da moeda, num jargão bem popular. É realmente necessário ter opinião ou tomar partido de tudo que acontece? Enquanto não vemos o quadro completo, o máximo que conseguimos é tecer comentários vazios de sentido global, baseados apenas na experiência, o que convenhamos não é nenhum critério de avaliação para um “todo”.

O vídeo a seguir ilustra bem esse post. Mesmo que você não curta a música ou o posicionamento dos integrantes da banda, o que fica é a frase final. Concorda?!?!

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