O problema é que você lê pouco

Dias atrás fui surpreendido com a confusão gerada por conta de um tweet postado em meu perfil no Twitter. Um dos meus seguidores, além de não ter entendido o que eu havia escrito, passou a responder à mim pedindo para que eu fosse mais claro em minhas colocações. Embora não haja, neste post, qualquer intenção de examinar o conteúdo da mensagem no Twitter, o fato é que, depois de analisado várias vezes, não identifiquei qualquer falta de sentido, entretanto localizei o causador da pequena confusão: uma ironia colocada em entrelinhas…

Este é somente um “micro” exemplo das proporções geradas por conta da leitura feita de maneira rasa, sem qualquer interesse em aprofundar-se nos sentidos ou múltiplos sentidos. A geração da informação quer todo o conteúdo mastigado e explicado em seus mínimos detalhes, porém ao mesmo tempo deve ser bem pequeno (não mais do que 140 caracteres) para poder ser processado na velocidade em que se procura outra informação. E o processo de introjetar mais e mais informação certamente tem efeito negativo no entendimento da mensagem. Não há mais reflexão acerca de um tema, apenas o consumo de palavras sem qualquer interesse em se degustar suas qualidades.

Mesmo aqueles que se defendem argumentando que lêem muito, na verdade fazem uma leitura parcial dos acontecimentos. Um exemplo: a partir do momento que somente um jornal ou um canal de televisão é o responsável por abatecê-lo de informação, o desencadeamento de uma parcialidade nos comentários é inevitável. É preciso conhecer os dois lados da moeda, num jargão bem popular. É realmente necessário ter opinião ou tomar partido de tudo que acontece? Enquanto não vemos o quadro completo, o máximo que conseguimos é tecer comentários vazios de sentido global, baseados apenas na experiência, o que convenhamos não é nenhum critério de avaliação para um “todo”.

O vídeo a seguir ilustra bem esse post. Mesmo que você não curta a música ou o posicionamento dos integrantes da banda, o que fica é a frase final. Concorda?!?!

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Vício ou comportamento?

Para dar conta de agrupar sob um mesmo rótulo o comportamento de alguns indivíduos, por exemplo, em relação às incontáveis horas que passam conectadas a Internet, psicólogos e psiquiatras instauraram a utilização da palavra “vício”. A mídia (nacional e internacional) colabora para espalhar algumas manifestações de comportamento como patologias, visto que geram compulsão, dependência e isolamentos. Os métodos para se chegar a essas definições não são fáceis de ler e entender, por isso, é cômodo confiar na metodologia clínica. Atualmente, há viciados em sexo, comida, exercícios, trabalho, twitter, blog, ou pasmem, coca-cola.

É necessário, entretanto, desvincular o uso patológico da palavra vício distanciando-a da conotação negativa sincronizadas a inúmeros excessos, como o meu em função de uma bebida de cor preta, que vem em latas, garrafas pet e é mundialmente conhecida como coca-cola. Ok! Estou fazendo apologia ao refrigerante e não estou sendo pago pra isso. Porém, o que enfatizo é a transformação de palavras comuns por conta das mudanças sociais inconscientes e invisíveis.

As mudanças semânticas implicam observar os fenômenos sociais em curso, tais como revolução digital e/ou sociedade de consumo. Outras expressões tiveram seu significado corrompido. Urgência e emergência: existe mesmo um e-mail que justifique a utilização desse termo? Por acaso existe realmente uma situação crítica ou algo perigoso prestes a acontecer? Alguns gerentes diriam que sim.

Absorver o novo não implica a erradicação imediata do velho, sendo assim os mais recentes significados dessas palavras revelam claramente o tamanho das transformações da língua e, mais que isso, decorrem da visão de mundo de seu praticante e o conjunto de valores contemporâneos que giram ao redor do cenário social no qual está inserido.

Obs. Eu sempre quis ter uma máquina de coca-cola em casa. Confissão de um viciado ou comportamento manipulado pela indústria do consumo?rs

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