3%

A série acompanha a luta dos personagens para fazer parte dos 3% dos aprovados que irão para o Lado de Lá. A trama se passa em um mundo no qual todas as pessoas, ao completarem 20 anos, podem se inscrever em um processo seletivo. Apenas 3% dos inscritos são aprovados e serão aceitos em um mundo melhor, cheio de oportunidades e com a promessa de uma vida digna. O processo de seleção é cruel, composto por provas cheias de tensão e situações limites de estresse, medo e dilemas morais.



Produção / Produced by Maria Bonita Filmes & Nation Filmes Criação / Created by Pedro Aguilera Direção / Directed by Daina Giannecchini & Dani Libardi & Jotagá Crema

Teeteto: uma introdução ao conhecimento.

Teeteto é um diálogo entre Sócrates e o jovem Teeteto. É a transcrição lida por Euclides à Terpsion baseado na conversa que tiveram quando Teeteto ainda era jovem. Em grande medida o objetivo central da obra é discutir a respeito da natureza do conhecimento e a possibilidade de se atingir tal fim por meio da razão, além de promover a descoberta do pensar, mais especificamente, como pensar o pensar.No diálogo travado por eles, fica evidente que o rumo dado por Sócrates pretende provocar o jovem a ir além das limitadas definições dadas por ele mesmo, pensar além do concreto. Fica mais claro, na definição inicial dada pelo filósofo: “Logo, não compreenderá a arte do sapateiro nem qualquer outra arte, quem não souber o que seja conhecimento“ que a busca pelo saber inicia-se quando superados os pré conceitos definidos ao longo da vida.

Há também por todo o texto, pontualmente, o conceito de relativismo, tão em moda atualmente. Ao definir que aparência e sensação se equivalem com relação ao calor e às coisas do mesmo gênero; tal como cada um as sente, é como elas talvez sejam para essa pessoa. Sócrates inicia a discussão sobre a construção do conhecimento a partir das percepções, apesar de considerar posteriormente que não pode ser a verdade percepção nem opinião verdadeira, nem uma explicação acompanhada de opinião verdadeira o relativismo, isto é, do meu ponto de vista eu compreendo o mundo.Percebe-se também a presença do que os teóricos mais tarde denominariam método da maiêutica, a descoberta, a busca pelo esclarecimento, pelo conhecimento. Segundo ele,  enquanto o indivíduo não se voltasse para si próprio e reconhecesse suas limitações no “Conhece- te a ti mesmo”, era seu lema, o esclarecimento não se materializa. E isso se demonstra em Teeteto no momento em que diz ao jovem: “Ao ouvirmos os sábios, a rigor nunca deveríamos empregar expressões como: Alguma coisa, ou Pertence a alguém ou a mim, nem Isto, nem Aquilo, nem qualquer outra designação que fixe determinada coisa”. Sendo assim, o método maiêutico é utilizado não dando respostas prontas, mas se utilizando das afirmações de Teeteto para que ele mesmo possa enxergar onde errou e perceba o conhecimento de forma abrangente e não limitada.

Traçando um paralelo com a disciplina Educação em Espaços não escolares, o método aplicado por Sócrates, infelizmente, é pouco ou em nenhuma medida aplicado pelos instrutores, professores, ou seja profissionais da área da educação. O fato mais evidente é a correção imediata à maneira como crianças e jovens adultos expressam suas idéias e conceitos. Ao apresentá-las, geralmente, ouvem de seus mestres que não tem sentido o que dizem, ou o mais estarrecedor, que não pensam da maneira adequada. Como se fosse possível uma única maneira de pensar. O entendimento do conhecimento como algo inerente ao ser humano e não concentrado em algo ou alguém traz luz à obscura maneira de pensar de muitos professores, que nessa perspectiva, nem poderiam estar nesta função, visto que não disseminam o conhecimento, pelo contrário, barra-o. Sócrates era considerado um parteiro das idéias, porque os libertava para o pensamento, para a filosofia. Por que não temos esse método, esse conceito, permeando nossas salas de aula, nossa reuniões de planejamento? Porque insistimos em acreditar que nós detemos todo o conhecimento?

Embora, muitos considerem que o método de Sócrates só possa ser aplicado em estudos de matemática, conhecido como “Prova por Absurdo”, é possível estendermos a metodologia para os mais simples trabalhos e tarefas no que diz respeito ao entendimento do que é educação e qual o papel do professor nela. Há ainda uma velha compreensão de que uma parte de conhecimento é suficiente para o juízo do todo. Porém, temos em Teeteto um vislumbre do que não é o conhecimento. Nas palavras de Sócrates quem adquire o conhecimento de algo em parte fecha os olhos e deixa de absorver o todo e, assim sendo, ao lembrar-se alguém de alguma coisa de que já teve conhecimento, não a conhece por não a ter diante dos olhos, o que dissemos ser positivamente monstruoso.

É muito provável que uma simples leitura de Teeteto não fará diferença para quem não estiver disposto a reconsiderar seus absolutos posicionamentos diante do conhecimento, diante da educação, da vida, de um mundo de sentido e significados. Apenas a leitura de um texto como esse não reverberará a verdade, o esclarecimento, como um diálogo realizado entre aluno e educador. Não aquele diálogo pontuado por um maniqueísmo displicente. Muito pelo contrário, se conseguirmos superar a distância que nos afasta do outro, por meio do diálogo, da troca de idéias, do conhecimento, talvez seja possível o que tanto se fala no meio acadêmico a respeito da revolução pedagógica que nosso país tanto necessita.

Ao término da leitura de Teeteto fica a sensação, utilizando um termo recorrente do texto, de que nada sabemos. Porém, os ecos de pressa em correr atrás do conhecimento e da verdade contida, não em coisas, mas no outro, no diálogo, na interação com o outro, proporciona um olhar para um horizonte em que abandonaremos nossa velha forma de pensar o todo e passamos a mergulhar na profunda riqueza da sabedoria contida, como diria Sócrates, dentro de nós mesmos, dos nossos alunos, dos nossos mestres.

A faculdade de intercambiar experiências

Para Mircea Eliade, “conhecer os mitos é aprender os segredos das coisas”. Um mito, bem diferente do conceito predominante, tem como função explicar a origem das coisas, nesse sentido Eliade amplia a ideia para além “das coisas”: explora o aprendizado do segredo. Dada uma sociedade, certamente haverá um mito para explicar como se deu a vida e o funcionamento do que os cerca. Seja numa aldeia indígena, uma tribo africana ou uma tradição cristã, todas carregam o mito de evidenciar “os princípios”. Estes entes sobrenaturais trazem para os iniciados um conjunto de elementos de forma a orientar condutas, explicar eventos naturais ou até mesmo restringir o uso deste ou daquele objeto num ritual. Quanto questionados do porquê, respondemos: Porque é assim! E, observadas as variantes, o que se tem em comum é o aprendizado, por meio desse “entes”, dos segredos das coisas, da vida.

Em uma determinada tribo indígena, há separações complexas entre o que é mito, contos e fábulas. E, por meio dessas divisões determina-se quem pode acessar esses conhecimentos, ou seja, os iniciados tem primazia em relação à mulheres e crianças. Por exemplo, é por meio de um ritual (“ditado” por estes “entes”) que se dá poder para este iniciado. O poder de entender e reproduzir e até mesmo interferir nesta ou naquela realidade. Portanto, independete de qual orientação religiosa, cultural ou social tal sujeito é, o mito é o caminho pelo qual se alcança a iluminação: o sentido ou segredo das coisas.

Walter Benjamim por sua vez afirma que “no momento em que a experiência coletiva se perde e a tradição comum já não oferece nenhuma base segura, outras formas narrativas tornam-se predominantes.” A partir do momento em que a narrativa é “atropelada” por outras formas de comunicação, como a imprnsa, por exemplo, o sujeito já não tem bases para alicerçar suas experiências. Isso equivale dizer que a sociedade moderna perdeu a faculdade de intercambiar experiências, numa afirmação também de Benjamim. Com o advento do romance, e da informação, já não há referências e muito menos o  exercício da criatividade ao recontar um história do seu jeito. Nos último séculos e mais fortemente nos últimos cinquenta anos, a sociedade passou a consumir notícia como se nada fosse: aquele evento que antes ocorria em outra parte do mundo e chegava até nós carregada de um força simbólica perde sua intensidade, pois nao há espaço para preenchermos as lacunas, tudo já vem pronto, cheio de detalhes, vídeos, imagens.

O que se perde neste trânsito de informações é a arte de representar a realidade se utilizando de formas narrativas ricas de simbologia, valores, etc. Para ilustrar esta questão, da ausência da experiência coletiva, temos a morte e seu impacto. Em outros tempos se experimentava a morte da mesma forma que a vida. Na mesma cama em que se dava a luz, morria-se. Hoje, as crianças são trancafiadas em casa e sob a orientação de um adulto, são impedidas de “experimentar” o rito fúnebre. Os rituais, os processos, as tradições dão lugar a um sem número de ações práticas que coibem e não oferecem bases para o sujeito e muito menos a sociedade de aprender a experiência comum.

Uma semana longe de mim

Precisava tirar férias de mim. Dificilmente conto para as pessoas quando tenho algum problema, e tirando um ou dois amigos mais chegados, poucos conseguem identificar em mim traços de insatisfação, tristeza… Não sou alegre o tempo todo, ninguém é, mas mantenho certo distanciamento de gente “pra baixo”, sabe aquelas que bastam duas palavras e a conversa ir para o precipício? Pois bem, essa semana fiz um curso distante do círculo de amizades profissionais, academicas ou religiosas. Ninguém me conhecia e eu não conhecia ninguém e os longos 5 dias passaram exatamente assim: sem novas amizades.

Sempre foi muito difícil para eu entender como é possível, em apenas alguns dias, pessoas se tornam “melhores amigos pra sempre” ou iniciar uma conversa do nada em fila de banco, transporte público…Na verdade, sinto inveja (do bem, como diz um amigo meu) de gente assim, fácil de se lidar. Na faculdade, demorei meses para identificar meus “verdadeiros” amigos e, em contrapartida, colecionei um sem número de desafetos, pessoas que não gostam de mim, assim…de graça. Eu entendo, eles tem todo direito de não gostarem de mim, não almejo ser unanimidade, eu mesmo torço o nariz para alguns deles, assim…gratuitamente. O fato é que, desde segunda-feira não fiz qualquer esforço para fazer novos amigos neste curso, me isolei propositadamente. Mesmo na hora do “coffee-break” voltava toda minha atenção para meu celular. Gostei daquele grupo de pessoas, eles não fizeram qualquer movimento em me tirar do “auto-isolamento”, melhor assim. A indeterminação é o que garante a possibilidade, sempre presente, de se operar a transformação social. Neste caso, posso afirmar estar extremamente determinado.

Depois desta imensa introdução, chegamos ao centro da meu argumento: porque temos que ser o tempo todo simpáticos, felizes, reclamar de coisas comuns para começar uma conversa? Porque temos que fingir que nos importamos com o bem estar alheio, se na verdade somos um bando de egoístas?Porque temos que rir pra quem não conhecemos? Porque no ambiente profissional fingimos ter gostado daquela piada só porque quem a fez era o chefe?! Há uma pressão cultural do “brasileiro alegre”, do bom mocismo à brasileira e a sociedade acolhe estas representações de “comercial de margarina”, além de incentivá-las.

Cansei. Pelo menos por uma semana, me distancei das características que constituem minha personalidade. Se é que isso é possível…Mesmo existindo o que se poderia chamar de regressão no desenvolvimento humano: o amadurecimento não é como uma “subida de escada”, pois o indivíduo está sempre subindo e descendo, muitas e muitas vezes, e nesse sentido, sinto que, em uma semana, subi e desci essa escada muitas vezes. Tive uma sensação de que o mundo pode ser recriado, de que “Eu” poderia ser recriado. Nas palavras de Winnicott (1982): “felizes aquele cujos pés estão bem plantados na terra, mas que, mesmo assim, conservam a capacidade de desfrutar intensas sensações, nem que seja em sonhos que são sonhados e recordados”. Quando ocorre a  instalação do si-mesmo ? É possível interferir nesta construção? Sei que estou indo em contraposição a afirmação de Peixoto em “A possibilidade de construir outras formas de se relacionar com si mesmo e com o Outro” que considera uma das características da modernidade é tentar compensar a perda dos vestígios dos indivíduos na multidão com a produção de registros em cadastros. As casas e pessoas se transformam em números. E as aglomerações passam a ter existência somente estatística. As multidões andam nas ruas lado a lado, mas, não se olham, não se falam.

O que levo dessa experiência que já tem data pra expirar: amanhã, quando iniciam-se os rituais religiosos dos quais participo (uau, essa frase pareceu ocultista, rs). Entretanto, sair da onipotência criativa para a desilusão deste tudo-poder é um exercício que recomendo a todos que lerem este post. Reconheço a dificuldade de se desligar, de afastar-se, é doloroso, cruel, e carece de um quê auto-depreciativo. Não é possível deixar ser quem se é, mas escolher como e com quem se relacionar e, em qual espaço-tempo, faz toda diferença para identificar suas verdadeiras motivações, seus desejos, o “self”, o “id”, sei lá… Ah! Em tempo, ainda não sei quem sou? Sei apenas o que não sou…isso, por si só, basta…por enquanto. Até o próximo surto de múltiplas personalidades. Bom deixa eu ir ali preparar o figurino para atuação de amanhã.

 

Tristeza para você – Parte 2

Eu gostei tanto dessa série “Tristeza para você” (veja a 1ª parte aqui) que disponibilizo um outro vídeo com a mesma temática…

Nota: Neste post há a ausência de palavras, pois se você não entendeu a mensagem não será por meio das palavras que você entenderá.

Fonte: www.thomastristonho.com.br

Tristeza para você

“Eu não penso, eu imagino e faço” Jair Fantin

Nota: Neste post há a ausência de palavras, pois se você não entendeu a mensagem não será por meio das palavras que você entenderá.

Fonte: www.thomastristonho.com.br

Ordem e Caos: a complexidade da vida

Os conceitos de ordem e caos, tanto quanto o conceito de racionalidade, não têm uma significação normativa. Desse modo, é impossível determiná-los e por isso, qualquer tentativa nesse sentido ocasiona anomalias no organismo vida: decisões erradas, feridas emocionais, entre tantos outros aspectos sintomáticos. Klaus Schulten, em seu trabalho: “Ordem do caos, razão por acaso” (Schulten, 1987), analisou a questão de como o cérebro humano usa, para o direcionamento do comportamento racional, o papel construtivo do acaso. Os movimentos sem direção definida nos leva a tomada de uma direção não organizada, só isso. Não que seja, o não tomar decisão, um movimento contrário ou negativo, apenas não é caos. Tem uma certa ordem.

O caos diferencia-se do nada, pois não tem como anticonceito do ser, a existência. Assim, quando penso estar vivendo num caos, há certa lógica ou ordem naquilo. Em outro momento, se afirmo estar vivendo ordenadamente ocorre uma certa limitação: a ordem define lugares e mostra alternativas claras para as mudanças de posição. Sendo assim, há certos cenários pré-definidos, máscaras estilizadas para cada momento e situação. Para começar a entender a complexidade da vida e nossas escolhas penso também no conceito de sincronicidade desenvolvido por Carl Gustav Jung. De acordo com os postulados do psiquiatra suiço, a sincronicidade é a experiência de ocorrerem dois (ou mais) eventos que coincidem de uma maneira que seja significativa para a pessoa (ou pessoas) que vivenciaram essa “coincidência significativa”, onde esse significado sugere um padrão subjacente. Esta não é, por acaso, a descrição do caos?!?!

Outro filósofo, Samuel Rosa, já cantou: “Vou deixar a vida me levar pra onde ela quiser” e talvez, a simplicidade da canção se aplique a não-lógica da vida, ao descontrole de suas múltiplas facetas. Seja na ordem ou no caos, sempre existirá uma coincidência significativa que muitos insistem em denominar destino, outros acreditam em forças divinas manipulando a sequência dos acontecimentos. Bem, devo admitir que não cheguei a nenhuma definição. Ao contrário, apenas há a constatação de que não temos controle sobre nada…E o nada….Isso é motivo para outro post, rs.

 

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