Meus Motivos

Caso 1

Vindo de uma família com considerável economia e bens, resolveu fazer uma viagem para o estrangeiro, como diziam os mais velhos. Dizem que foi em terras distantes que experimentou o sexo com diversos pares, inclusive prostitutas. Deu festas regadas a muito álcool, música e, esbanjando tudo o que não tinha, se viu em apuros. Sem grana, ensaiou um discurso e voltou pra casa, falido, quebrado.

Caso 2

“Não consigo entender como minha mãe e meu pai fazem tudo por ela. Desde pequena, ela age assim: é sempre a vítima, a mais frágil, aquela a quem os familiares dão os melhores presentes e carinhos, esteve sempre enrolada em relacionamentos questionáveis. E eu, sempre me contento com o pouco. Pelo menos é isso o que eles acham.

Mesmo hoje, depois de tantos anos, ainda percebo meus pais cobrindo ela de mimos, telefonemas, mensagens de incentivo, e eu…

Bem, eu tive que enfrentar a vida sozinha.

Caso 3

Você está na empresa há mais tempo que aquele cara.

Você levou mais tempo para entender como tudo funciona, quais são os territórios com bombas por desarmar, os processos, formulários, requisições, etc.

Mas aquele rapaz, em questão de semanas, com sua simpatia e competência consegue, habilmente, cortar os fios certos e, enfim, ele está no lugar que, por tantos anos, por direito seria seu.

Caso 4

“Olha! Todos esses anos tenho trabalhado como um escravo a teu serviço e nunca desobedeci às tuas ordens Mas você nunca reconheceu isto.”

No quarto caso temos as palavras do irmão mais velho do “filho pródigo”[1].

Esta parábola é explorada em sermões e utilizada como argumento para os abusadores da graça, que se colocando no lugar do tal filho mais novo, dizem em profunda contrição: “Não importa o que eu faça, Deus estará sempre de braços abertos para me aceitar”.

Poucos são os corajosos que assumem que se parecem mais com o irmão mais velho do que com o novo. Sentimos inveja do irmão mais novo ou de qualquer outro “irmão” que se coloque na nossa frente ou que mostre ter um carinho diferenciado por parte do Pai.

Queremos os melhores lugares. Fazemos de tudo pelas melhores posições, afinal somos filhos do Todo Poderoso (não do filme, claro…ou sim, para aqueles que imaginam ser aquele o nosso Deus). Não conseguimos nos alegrar com as conquistas do outro.

Não importa se eu não tenho desde que ele também não tenha.

Infelizmente é como funciona a nossa mente, encharcada de ira, contenda, ódio, e que se revela quando percebemos que há uma festa acontecendo do nosso lado, mas mesmo tendo sido convidados não participamos.

Por despeito, por irritação, por não achar justa a maneira como Deus trata àqueles que parecem abusar de sua graça, do perdão, da salvação.

Deus poderia muito bem ter nos dado um emprego melhor, ter nos feito ser reconhecido o quanto pelos nossos talentosos e habilidades, ter nos dado a oportunidade de nascermos em outro país ou em outra família, mas percebemos tarde demais que o coração dEle se inclina para os arrependidos, pobres de espírito e contritos de coração.

Quanto mais nos comportarmos como ingratos, mimados, irresponsáveis e não percebendo que Deus esteve o tempo todo (vida) conosco e tudo era dele, por ele e para ele (emprego, família, bens, etc), então estaremos realmente a ponto de não conseguir celebrar a salvação do próximo e muito menos entrar Na Festa, se é que me entendem…

 

Referência

Lucas 15.11-31 (NVI)

Não, não está tudo bem…

Ninguém gosta de ser contrariado – isto é um fato. Muito menos alguém que produz alguma coisa, que coloca seu talento (ou o que passa por talento) num projeto especial, e que espera um bom retorno desse esforço. Eu mesmo, por mais zen que minha profissão tenha me treinado para ser, fico de certa forma incomodado quando a resposta das pessoas a um trabalho meu não é exatamente a que eu esperava. Porém, uma crítica, quando é bem feita, é a melhor coisa que poderia acontecer para um artista – ou qualquer produtor cultural. Vou pedir ajuda a um certo escritor (que já conto quem é) para explicar melhor o que quero dizer:

“Exercer a crítica afigura-se a alguns que é uma fácil tarefa, como a outros parece igualmente fácil a tarefa do legislador; mas, para a representação literária, como para a representação política, é preciso ter alguma coisa mais do que um simples desejo de falar à multidão. Infelizmente, é a opinião contrária que predomina, e a crítica, desamparada pelos esclarecidos, é exercida pelos incompetentes”.

Se você é um dos 786 críticos de TV – ou de qualquer coisa – que povoam aquilo que já foi chamado de “território livre da internet”, não tome as palavras acima como uma crítica pessoal. Afinal, elas foram escritas há mais de um século – mais precisamente em 1865. E por ninguém menos do que Machado de Assis. Encontrei este texto por acaso, num recente lançamento da Penguin com a Companhia das Letras: “O jornal e o livro” – um dos primeiros modestos volumes da coleção “Grandes ideias” (como já existe na Penguin inglesa – aliás, eu lamentaria que as capas da coleção daqui não têm a originalidade das de lá, mas você vai achar que eu estou divagando…). Mas achei curioso como ele veio bem ao encontro de algumas coisas que eu vinha pensando recentemente sobre a crítica nos tempos de hoje.

(Antes de continuar, falo mais uma vez aos 786 críticos de TV da internet: a citação foi uma brincadeira – quase uma homenagem. Minha intenção era parafrasear o grande Paulo Francis, que gostava de brincar que, no seu tempo, a “Folha de S.Paulo” tinha 300 críticos de cinema – não tenho muita certeza se o número que ele dizia era esse, mas vale a lembrança. Fico pensando o que Paulo Francis, com quem tive o prazer de trabalhar diretamente quando fui correspondente da própria “Folha” em Nova York, em 1988, faria desse “mar de críticos” que navegam sem bússola pela internet. Mas eu divago – assumo! Deixa o Francis para outro dia…).

Minhas elaborações sobre a crítica cultural atual partiram de três artigos que li recentemente – um sobre literatura, outro sobre TV, e o último sobre rock. No primeiro deles, Geoff Dyer (um escritor que admiro muitíssimo), nas páginas do “Sunday Book Review” (do jornal “The New York Times”), desbanca um livro que foi laureado no ano passado com o prestigioso Man Booker Prize – e celebrado aqui mesmo neste espaço: “The sense of an eding”, de Julian Barnes. Em um texto curto, Dyer tem a ousadia de criticar não apena o aclamado Barnes, mas todo o cenário da literatura inglesa atual.

“(O livro) não é terrível, é apenas tão… mediano. É medianamente atraente (eu o terminei), demanda uma quantidade mediana de concentração e, se é que isso faz sentido, é medianamente bem escrito: excelência mediana!”, escreve Dyer. E, mesmo relutando em concordar com ele – eu insisto: gostei muito do livro e continuo gostando -, o artigo me fez pensar. Menos sobre o livro em si, mas na coragem de Dyer em se levantar para contrariar um “senso comum”. Entregar-se a ele, a esse senso comum, é a pior coisa que poderia acontecer a um crítico. Mas a maioria deles parece não estar nem ligando… Cito o mesmo texto de Machado mais uma vez:

“Sem a coerência perfeita, as suas sentenças (do crítico) perdem todo o vislumbre da autoridade, e abatendo-se à condição de ventoinha, movida ao sopro de todos os interesses e todos os caprichos, o crítico fica sendo o oráculo de seus aduladores”.

E mais uma vez me espanto em ver como Machado continua atual. Numa inversão perversa que só a internet seria capaz de trazer, criar um assunto polêmico hoje – para quem é blogueiro (como eu sim, quem disse que eu estou imune a isso?) ou colunista – é quase que um objetivo maior do que a qualidade do próprio texto que ele escreve, uma vez que o que conta é o número de cliques (ou de comentários) e não o que está sendo realmente dito. Como sabemos, muita gente responde apenas ao título de uma coluna, vai direto aos comentários, e ali começa uma discussão inócua, desprendida do próprio texto original – mas que faz a alegria do blogueiro (ou do colunista), porque afinal, isso cria tráfego… Os conselhos de Machado, para que uma crítica seja “sincera, sob a pena de ser nula”, soam como um apelo distante, mas, novamente, não poderiam ser mais atuais.

Mas há esperanças. Um outro texto que li na revista do jornal “The New York Times” teve a “coragem” de criticar de frente os seriados de TV supostamente inteligentes. Para Heather Harvrilesky, a autora do artigo, “Lost”, mais que um marco, foi uma praga para os escritores do formato na TV americana, porque condicionou um geração inteira a assistir uma temporada completa de um seriado sem que uma solução plausível para toda a trama fosse oferecida no final. De fato, “Lost” – que acompanhei religiosamente – foi uma decepção crescente, culminando com um desfecho que era bem aquém do que até o fã mais dedicado poderia esperar… E a moda pegou!

Havrilesky cita três outros seriados que foram bastante elogiados e bem recebidos pelo público na atual temporada de televisão nos Estados Unidos – “The killing”, “Homeland” e “American horror story” (que se não me engano podem ser vistos na TV a cabo por aqui) – como exemplos de tudo que está errado hoje em dia com esses roteiros. Para ela, a “era de ouro” desses seriados já está ficando bem para trás – “A sete palmos”, “Os Sopranos”, “Breaking bad” – enquanto que a audiência atual se contenta com migalhas, como ratos que ao fim de um labirinto entra alegremente em outro sem saber se vai ter saída (a citação é da autora).

Quem é que tem coragem, hoje em dia (especialmente aqui no Brasil), de fazer uma análise séria e contundente do que acontece na TV? A maioria dos ditos críticos já se dão por contentes de papagaiar o próprio universo “trash” que a maioria das atrações que atraem algum público oferece. Quer um exemplo recente? Virtualmente ninguém resistiu comentar sobre a estreia recente de “Mulheres ricas”… Um programa com uma “relevância”… E nesta semana mesmo vamos poder verificar o fenômeno acontecendo de novo – e com uma cruel distorção. “BBB 12″ e “Dercy de verdade” estreiam nesta terça-feira. Qual dos dois programas você acha que vai ser mais “analisado” pelos “críticos de plantão”?

Atenção espertinhos! Não estou “dando uma alfinetada” no “BBB”, como você já deve ter twittado… Como alguém que já inclusive apresentou um “reality show”, tenho a maior consideração pelo gênero, e em especial pelo “BBB”, que simplesmente domina o imaginário pop do brasileiro – basta ver a reação de ojeriza que o “pobre” advogado que pediu para sair antes do programa começar sofreu com sua decisão… A questão que estou querendo levantar é sobre os verdadeiros motivos que movem esses “críticos”, se eles estão mesmo preocupados em “olhar para a televisão” ou simplesmente atrair leitores – ou melhor, cliques, já que, como sugeri anteriormente, poucos são os que passam os olhos de fato pelo texto… Diga lá, ó Machado:

“O crítico deve ser independente – independente em tudo e de tudo -, independente da vaidade dos autores, e da vaidade própria”…

Ah, a vaidade dos críticos… Quem vai querer deixar de ser adulado pelos próprios artistas, autores, criadores, que se escreve? Se isso já vale para a televisão, imagine para um universo onde a simbiose entre crítica e a artista é ainda mais libidinosa: o da música pop. Um texto comoesse outro que encontrei também no “The New York Times” – no caderno “Arts and Leisure” – é uma raridade. Afinal, seu autor, Jon Caramanica, teve a coragem de falar que a criação recente do rock americano está simplesmente estagnada. Isso mesmo – olha que ousadia! As bandas de maior sucesso de 2011? Sublime With Rome? Foster the People? E até mesmo os atuais queridinhos dos alternativos, os Black Keys? Tudo uma bobagem. Ou nem isso! Tudo muito normal!

Como no caso do argumento de Havrilesky, Caramanica pega como referência um passado recente: há menos de uma década, estávamos nos deliciando com bandas realmente revolucionárias como The White Stripes e The Strokes (e pode colocar até um certo Franz Ferdinand nesse pacote!). Mas hoje? Só essa “meia bomba” de artistas que não estão muito preocupados em mudar nada… Aqui no caso também é fácil fazer um paralelo com o cenário brasileiro. Você vê alguém escrevendo algo realmente sério sobre, por exemplo, o novo disco de Maria Gadú? Quando muito o que temos é um arremedo triste daquela crítica que apela mais para a ironia (e “flamboyance” do seu autor), que começou a surgir no final dos anos 8o e cresceu como uma Hydra nos anos 90 – nos terrenos férteis dos cadernos culturais dos principais jornais brasileiros deste período. Agora todo mundo faz gracinha em suas crítica – lógico! É o melhor jeito de chamar atenção: tirar uma frase engraçada para virar um título chamativo na cacofonia de uma primeira página de portal na internet. Agora um texto mesmo, falando dos (visíveis) problemas da maioria dos recentes lançamentos musicais no Brasil – desculpe, mas não vi. Nem mesmo sobre a sensacional obra-prima de Gal Costa, “Recanto” (sobre a qual quero escrever aqui em breve).

Está tudo meio mais ou menos – tanto do lado de quem faz, como do lado de quem analisa (ou critica). E por isso mesmo eu quis aqui fazer o mesmo manifesto. Sobre o qual, como sempre, você está convidado (convidada) a discordar – ou mesmo concordar! Mas sem cair nas mesmas tentações que mencionei acima, vamos combinar? Para encerrar também com Machado, faço eco ao seu desejo de outrora:

“Quanto à crítica dominante, como não se poderia sustentar por si – ou procuraria entrar na estrada dos deveres difíceis, mas nobres – ou ficaria a conquistar, de si própria, os aplausos que lhe negassem as inteligências esclarecidas”.

O refrão nosso de cada dia
“Seconds”, Little Dragons – de uma das bandas que fez um dos melhores discos que você NÃO ouviu em 2011, uma música que é um refrão musical em “loop” do começo ao fim. Não tenho ideia quem montou essas imagens de Brigitte Bardot sobre essa faixa, mas o casamento foi perfeito. Confira!

Originalmente publicado aqui

Cápsulas de inteligência

“O hábito de discordar vem se tornando fora de moda e o resultado é um ambiente raso e hipócrita”, escreve Luli Radfahrer, professor na USP, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 09-01-2012.

Segundo ele, “eventos hoje têm agenda publicitária e pragmática. Apresentados como um lugar mágico em que não há dúvidas e todos se sentem mais inteligentes no final, a maioria tem um forte componente de autoajuda, principalmente quando levado em conta o currículo e conteúdo apresentado. No TED, a mais popular (e copiada) entre as conferências “new age”, apresentações curtas, rasas e emotivas são intercaladas com números musicais ou cômicos”.

Eis o artigo.

Não se fazem mais debates como antigamente. E a culpa não é da internet, pelo menos em parte. É certo que a facilidade de acesso a bases de dados de todos os tipos tirou dos congressos a novidade das descobertas, mas isso não é motivo para o esvaziamento das pautas, muito pelo contrário.

Justo hoje que as tecnologias de captação, distribuição e compartilhamento são cada vez mais baratas e fáceis de usar, o ambiente de simpósios deveria efervescer em ideias, confrontos, colaborações e esclarecimentos, cujo calor das discussões tornaria comuns episódios como a baixaria entre Karl Popper e Ludwig Wittgenstein, em 1946.

Wittgenstein argumentava que as questões filosóficas não passavam de problemas linguísticos. Popper discordava. Para estimular o debate, a Universidade de Cambridge convidou Popper para expor suas ideias, com Wittgenstein e outros figurões no auditório.

A expectativa era grande, mas não para o que ocorreu. Mal começado o evento, Wittgenstein pegou o espeto da lareira e, armado com ele, saiu gritando que Popper estava errado. A situação só não terminou em tragédia porque alguém da plateia gritou para que ele sossegasse. A lenda diz que a bronca veio de Bertrand Russell, pouco importa.

Hoje isso não aconteceria. Dominados pelo politicamente correto, eventos e palestras não estão abertos à discórdia. Como no Facebook, pode-se curti-los ou evitá-los, mas não há como reprová-los, pois até os comentários podem ser censurados. Gênios polêmicos como PopperWittgenstein Russell, não propensos a críticas, dificilmente seriam convidados para a mesma mesa-redonda. E todos perderíamos.

Eventos hoje têm agenda publicitária e pragmática. Apresentados como um lugar mágico em que não há dúvidas e todos se sentem mais inteligentes no final, a maioria tem um forte componente de autoajuda, principalmente quando levado em conta o currículo e conteúdo apresentado. No TED, a mais popular (e copiada) entre as conferências “new age”, apresentações curtas, rasas e emotivas são intercaladas com números musicais ou cômicos.

Respeitável público, está armado o picadeiro. Na forma de uma playlist, apresentada por um mestre de cerimônias, powerpoints e vídeos se acumulam até o clímax cujos efeitos especiais só perdem para a distribuição de brindes e a festa. Mais panis et circensis, impossível.

O resultado é um ambiente raso e hipócrita, em que críticas são desencorajadas. As apresentações, quase religiosas, pregam que só há um lado “certo” a seguir: aquele apresentado pela celebridade que ocupa o palco e apresenta, para uma plateia ignorante, sua visão particular de Paraíso.

Todos estão livres para expressar suas opiniões, desde que concordem. O milenar hábito de discordar e debater vem se tornando, aos poucos, fora de moda. A maior crítica permitida é uma ironia covarde, camuflada sob perfis anônimos ou mascarados.

A oposição saudável entre duas inteligências de igual calibre, que permite a cada participante que decida por conta própria qual lado e em que grau deve apoiar, é cada vez mais rara. Se essa tendência continuar, talvez acabe restrita às arenas de MMA.

Post originalmente publicado em http://www.ihu.unisinos.br/

Linguagem:o horizonte de uma concepção hermenêutico-pragmática da cultura.

Baseando-se no argumento de que “o homem não somente é, mas interpreta seu ser” o horizonte de abordamos uma concepção hermenêutico-pragmática da cultura e isso se dá quando uma nova orientação filosófica, que tem buscado refletir a respeito da própria necessidade  ou  relevância  das  discussões  epistemológicas, se mostra  como  caminho  viável  para  a compreensão  da  evolução  do  pensamento sobre a linguagem.

O interesse pela linguagem é muito antigo,  expresso por mitos, lendas, cantos, rituais ou por trabalhos eruditos que buscam conhecer essa capacidade humana. Remontam ao séc. IV a.C. os primeiros estudos sobre a linguagem humana. Saussure considerou a linguagem “heteróclita e multifacetada”, pois abrange vários domínios: é ao mesmo tempo física fisiológica e psíquica; pertence ao domínio individual e social. A língua, segundo ele, é uma parte essencial da linguagem;  é um produto social  da  faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos.
Sendo assim, a necessidade da palavra dissolve a ingenuidade no sentido de que tudo é em princípio posto em questão pela força da palavra. Quando falamos, colocamos em funcionamento todas essas funções, sendo  que   algumas   podem   estar   mais   salientes   que   outras, dependendo do contexto.

Segundo Manfreda Araújo Oliveira, a linguagem é o espaço do desvelamento e, ao mesmo tempo, da crítica do sentido do mundo, do homem e do todo. Dessa forma, a linguagem é resultado da interação social historicamente determinada, na qual os sujeitos se inserem, não sendo, portanto, um fenômeno puramente natural. Ela é dependente da capacidade de criação e liberdade humanas, sempre aberta à invenção e modificações como qualquer outra instituição social.

Indo além, a partir desse ponto podemos entender que “o homem só existe culturalmente”, segundo Oliveira e por isso fato de nos apropriarmos do uso da linguagem como quem domina uma técnica não significa que o fazemos de um modo puramente mecânico. Cada participante é capaz de interpretar a regra de um modo inovador e assim provocar mudanças na significação das expressões lingüísticas. Toda organização humana concreta estabelece-se numa espécie de reservatório cultural, um conjunto simbólico de sentidos e valores que sustentam o “fundamento” do ato comunicativo que o consenso tácito estabeleceu. As regras são apenas “indicadores de direção”, nada mais que isso. O emprego que fazemos dos indicadores de direção permanece aberto a interpretações, pois “cada interpretação, justamente com o interpretado, paira no ar; ela não pode servir de apoio a este. As interpretações não determinam sozinhas as significações”, segundo Spaniol, Werner.

A cultura, portanto, é condição de possibilidade do entendimento entre diferentes sujeitos fazendo do homem um ser semiótico. A linguagem não é uma coisa morta em que cada palavra representa algo de uma vez por todas. Ela é uma atividade humana situada cultural e historicamente. Os jovens, por exemplo, adoram usar termos diferenciados que correspondem ao seu grupo, mas que fora dele poucos compreendem. Assim, “radical” já foi usado para designar algo que é “maneiro” ou “massa”, um sujeito “legal” pode ser considerado “sangue bom” ou “moral” dependendo do lugar onde viva. Esse processo argumentativo situado na esfera da linguagem trata de justificar as bases da cultura como proposta reflexiva da filosofia. Nesse sentido, um argumento é o conjunto da conclusão e das premissas de uma reflexão filosófica. A conclusão do argumento é a proposição que se pretende justificar. As premissas são as proposições que devem apoiar a conclusão. Assim, provar, demonstrar, defender ideias, apresentar razões é argumentar.

Portanto, para se pensar o fenômeno que engloba a questão da concepção  hermenêutico-pragmática da cultura é preciso por de lado, a subjetividade e superficialidade de como entendemos, num conceito amplo, o que é a cultura. Além disso, o que é a cultura pensada como fruto da atividade do homem na perspectiva da filosofia da linguagem. Não se limita o poder do simbólico, muito pelo contrário, partindo-se dele temos que assumir uma postura de libertação imediata para abrangência do universo da significação e, fazendo uso de ferramentas da filosofia da linguagem, podemos alcançar tal objetivo.


Uma reflexão sobre Oração

O que é oração? Não faço essa pergunta só para você, mas também pra mim, pois ultimamente tenho me questionado muito sobre o verdadeiro sentido do “orar”. Essa é uma prática (ou não) de cristãos e é ensinada como algo indispensável na vida de uma pessoa que diz servir a Cristo.
Desde pequeno, comecei a repetir palavras que me ensinaram a usar na hora de orar, tais como: “Senhor, meu Deus e meu Pai”, “Na tua presença nos colocamos agora” etc. Eu sempre encarei essas palavras como obrigatórias no “ato” de orar, como se fossem mágicas, como se fossem mantras repetitivos que precisam ser ditas num momento específico. Você já reparou que essas são palavras que no dia a dia não utilizamos? Por que será?
Uma indagação frequente em nossas igrejas é: por que a baixa frequência de jovens nos reuniões de oração? Eu acredito que essa falta de interesse se deva ao fato da maioria deles não entenderem o que significa realmente a oração. Você jovem, entende porque desde pequeno ouve na igreja que o cristãos deve orar sempre? Então, vamos refletir comigo?

Oração está para além de apenas e simplesmente pedir, ou como ouvi de um pastor que pregou na igreja onde congrego: “oração não é listinha de pedidos”. Oração não é repetir palavras. Não existe um lugar para orar. Oração não é forma, oração é conteúdo. A oração é relacionamento. Orar é estar em sintonia com o Soberano, buscando os propósitos do Eterno. Oração é estar perto de Deus e sua vontade. Oração é vida, não apenas um ato.
Temos centenas de passagens bíblicas sobre oração. Sobre homens que mantinham uma comunicação constante com Deus. O próprio Jesus, mesmo sendo Filho de Deus, mantinha uma vida de oração, de contato com o Pai. O apóstolo Paulo ensinava também aos Romanos e aos Colossenses:

Dediquem-se à oração, estejam alertas e sejam agradecidos. Colossenses 4:2

Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração. Romanos 12:12

Dedicar-se e perseverar na oração faz parte da vida de um cristão salvo pela Graça de Deus, pois esse é um ato de dependência e de despojar-se de si mesmo e de suas vontades. O cristão que foi regenerado sabe que somente em oração conseguirá suportar as agruras da vida e as provações do dia a dia.
Oro a Deus, que pela sua Graça, nos atraia para um relacionamento estreito com Ele, fazendo com que nos dediquemos a fazer da nossa vida uma oração constante.

Que Deus nos abençoe!

Post originalmente publicado No Barquinho por Por Thiago Ibrahim (@thiagoibrahim)

Comparações e as razões do ódio cristão

Qual a importância da avaliação de desempenho entre as gerações? É válido ou possível comparar um jovem entre 17 e 24 anos e um senhor de 40 anos ou mais? Por conta da variedade de experiências, crenças, valores e opiniões, a comparação entre gerações, e mais especificamente entre sujeitos, não considera particularidades e acaba se tornando injusta. O não entendimento passa por outras dimensões e deve-se não só aos fatores mencionados. Porém, a intenção aqui não é investigar os “porquês”, ao contrário, reconheço a necessidade de uma troca Intergeracional. Considero também o diálogo interativo como a abertura para a compreensão e aceitação do outro. Tomando o caminho do humor, da renovação dos lugares para convivência podemos envolver todas as idades e isto não ser um empecilho, por exemplo, para exercitar o culto à Deus.

Esa noção do reconhecimento dos limites e possibilidades de cada um (criança, jovem, velho) pode ser uma oportunidade para articular as tais vivências Intergeracionais, isto porque, torna-se extremamente necessário ter uma herança simbólica construída, porém com vínculos afetivos e não em tons de cobrança, frustações (“Se fosse no meu tempo…”), entre outras amarguras… A sensação de pertencimento diz respeito tanto ao idoso quanto ao adolescente “rebelde”. Portanto, a comparação, seja ela em qual nível for, é ineficaz, pois neutraliza e tende a afastar ainda mais a troca Inter geracional.
[…]
As razões do ódio cristão, é claro, não tem relação e sequer são as mesmas dos imperadores romanos jogando cristãos nas arenas como alimento para os leões. Não se trata de vingança histórica. Estas linhas são apenas reflexão sobre o que ninguém admitirá ter, pois isso colocaria em extremos o amor ensinado pelo Mestre e o ódio, um sentimento tão demonizado. Então (tratando na 3ª pessoa) como é possível identificarmos o ódio em cristãos??? Para muitos, “justificação”, “redenção” e “salvação”, por incrível que pareça, são apenas termos gastos e datados. Há uma urgente busca, da geração dos inconformados, em dar brilho e vigor a estes temas, acima do circulo do ódio. A escandalosa graça de Deus retira o obstáculo entre nós e Deus, mas que insistimos em manter, seja por meio de dogmas, liturgias cansativas ou um saudosismo desmedido. Somos imaturos, inclusive, para entender a remissão de pecados.
Deve-se à razão do ódio cristão a nossa percepção de que o “irmão”, não sendo merecedor, é perdoado pelo mesmo Jesus que também é o nosso “Salvador”. Queremos impor justiça ao que Jesus propõe esquecimento das faltas e sua insistência para que sejamos “livres”. A liberdade dos cristãos pode ser motivo para o ódio: só quem tem dúvidas sobre o perdão divino é capaz de infringir ao outro penitência e um sem número de exigências para o convívio em comunidade. A quem interessa que as gerações não dialoguem? A quem interessa que haja ódio nos mesmos corações? A quem interessa matar os novos líderes?
Exterminar as novas lideranças, na raiz, garante a manutenção de um sistema que foi sim relevante (!?), para um determinado espaço de tempo, lugar e contexto sociocultural, mas que se for mantido engessará movimentos num futuro próximo.

Tudo é relativo, ou não?

Uma das manifestações do irracional se dá, de forma refinada, pelo RELATIVISMO. No recorte cultural, o relativismo condiciona todas as verdades e todas as normas pela cultura. Já  os desdobramentos históricos dão conta de situar no tempo todas elas. Apesar de um tanto complicado, equivale dizer, que normas e valores, no que podemos chamar de relativismo, são vistas de acordo com o contexto cultural. Um exemplo dentro da dimensão religiosa: até poucos anos atrás uma mulher que usasse calças e maquiagem não estava dentro dos padrões considerados “bíblicos”. Então, foi a bíblia que mudou ou a interpretação? É óbvio que o relativismo não é algo tão simples como a ilustração acima, porém se pensarmos nas inúmeras modificações de nosso jeito de ser e fazer igreja nos últimos anos perceberemos a quebra de paradigmas. O relativismo em curso, do qual faço questão de destacar seu papel no pós-modernismo, diz respeito a produção de verdades contextuais. Percebemos casos, em que cristãos já não tem a Bíblia como conjunto de valores morais e éticos, tudo é relativizado pela experiência ou revelação.

Isso (direcionamentos, ordenanças) era lá nos tempos antigos, hoje não faz mais sentido” . Declarações como estas são mecanismos do inconsciente que regulamentam nossas pulsões éticas. E é nesse momento, que a interpretação irracional dá vazão ao fundamentalismo cristão ou a consideração de verdades pessoais, por isso, relativas. É o deixar-se guiar pela intuição (alguns insistem em santificar, dizendo ser revelação do Espírito) e traçar comparações interculturais.  Segundo Augustus Nicodemos, em “Ateísmo cristão e outras ameaças a igreja”, é como se a cada geração, Deus revelasse a bíblia e as grandes verdades do cristianismo de uma maneira totalmente diferente. Diante disto, que respostas damos como cristãos?

Muitos consideram a verdade absoluta como Deus, mas a percebem de maneira relativa. É como se a Verdade estivesse sujeita ao meu conhecimento dela (o tal do conhecereis a verdade…) transformando a percepção teológica individual acerca das coisas. E as possibilidades do certo e do errado? E o que é verdadeiro e falso?

Despidos de pressupostos e preconceitos, será que somos capazes de, em função de nossa miserabilidade, perceber a Verdade do mesmo modo que outras pessoas a perceberam em outros tempos e lugares?

Somos relativistas?

Do Tropicalismo

Num contexto musical em que o tradicionalismo e fundos nacionalistas de esquerda davam o tom, o tropicalismo surge com características e elementos específicos que tinham por fim universalizar a linguagem da música popular brasileira. A troca da suavidade das cordas de nilon do violão pelas de aço da guitarra elétrica não tinham somente a modernização musical como objetivo, além disso, a própria cultura nacional teria suas cores alteradas radicalmente.

A mudança estética, em que a bossa nova se misturava ao rock e englobava outros ritmos como samba, bolero, rumba, rompeu as estruturas do que é alta cultura, cultura de massa, tradição e vanguarda. O tropicalismo transformou o comportamento político-ideológico, e também estético. Não à toa foi reprimido pelo governo militar. Porém, o que ficou foi a “descoberta” dos trópicos como centro de uma cultura própria e não reprodução estrangeira do estético, do belo, do que é de bom gosto ou não.

A idéia de Oswald de Andrade era a devoração crítica do legado cultural universal, não por meio da submissão e redenção do “selvagem” e sim da perspectiva do “selvagem” mau, sem escrúpulos, esquecendo os arquétipos literários que envolviam de ares claramente místicos, portanto “bons”. Essa não catequisação, essa desconstrução revelava uma nova forma de se ver a realidade ou significá-la.

Esse conceito de teoria e prática do “devorar”, princípio simbólico da antropofagia, de acordo com um dos líderes do movimento tropicalista, Caetano Veloso, foi fundamental para rediscutir a produção cultural e se torna um método adotado por eles próprios (tropicalistas) para o alcance do objetivo de ser mais que apenas um movimento musical:

A idéia do canibalismo cultural servia-nos aos tropicalistas como uma luva. Estávamos “comendo” os Beatles e Jimmy Hendrix. Nossas argumentações contra a atitude defensiva dos nacionalistas encontravam aqui uma formulação sucinta e exaustiva. Claro que passamos a aplicá-la com largueza e intensidade, mas não sem cuidado, e eu procurei, a cada passo, repensar os termos em que a adotamos. Procurei também e procuro agora relê-la nos termos originais tendo em mente as obras em que ela foi concebida para defender, no contexto em que tal poesia e tal poética surgiram. Nunca perdemos de vista, nem eu nem Gil, as diferenças entre as experiências modernistas dos anos 20 e nossos embates televisivos e fotomecânicos dos anos 60. (VELOSO, 1997, p.248)

O tropicalismo, portanto, retomou as considerações oswaldianas para uma reinvenção do cenário cultural brasileiro. Da mesma forma que a antropofagia oswaldiana inicia a discussão cultural de 22, a tropicália repensa e atualiza a questão.

VELOSO, Caetano. Verdade tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997

AGUIAR, Cícero Vicente Schmift de Aguiar. Uma análise da antropofagia tropicalista. Porto Alegre, 2010.

Murilo Rubião: do fantástico ao real (parte II)

A primeira parte deste post “enorme” você lê aqui.

O caráter sombrio do conto e também o tom amargo do não desfecho dá ao conto “A armadilha” qualidades de imposição do irreal como se fosse real. A ruptura com o cotidiano, neste caso, sustenta e possibilita a fantasia e o desdobramento de uma lógica que atua como mapa para “organizar” a narrativa. Esta lógica a que me refiro é a noção do maravilhoso, da estética que concilia o natural e o sobrenatural. É a imaginação dando lugar para um mundo ficcional apoiado no real.

Murilo Rubião não me parece um autor preso a uma coerência que justifique uma narrativa modelar. Ao criar um mundo subjetivo e dado a múltiplas interpretações, os motivos da fantasia ficam em segundo plano. O que interessa é ser devorado pelo universo proposto.

Alguns detalhes são colocados pelo autor durante o conto, que explicito aqui, como que para complicar a interpretação: a maleta volumosa que Alexandre traz consigo quando entra no prédio, continha o quê? Porque estão numa sala com portas e janelas de aço? O conto é muito curto (short story) para se limitar à explicação dos objetos ali postos para criar e concentrar na “não -resposta” seu elemento mais precioso. Há ausência de explicações, mesmo que extraliterárias, para os acontecimentos absurdos. E talvez por isso, constitua a noção de que o sobrenatural não pode ser, ou não deve ser, explicado por intervenções ou resoluções rápidas, a fim de um final feliz ou compreensível à maioria dos leitores.

Portanto, a literatura fantástica de Rubião é tão rica que qualquer tentativa de explicar o conto além de sua natureza seria o mesmo que tentar explicar ironia à uma criança de dois anos de idade. Se na maior parte do tempo aceitamos situações verossímeis, qual o problema em não dar respostas, ou ver a solidão de uma personagem ou pensar no definhar de seu corpo durante um, dez ou mil anos? Geralmente, aceitamos explicações parciais a respeito do que nos cerca, porque haveria “A armadilha” ser diferente? Nisto temos mais uma vez a tensão entre o real e ficcional, nos levando à dúvida do que é real, ou para, além disso, problematizar a realidade acima das estruturas fáceis dos contos de fada.

Referências
SCHWARTZ, Jorge (Org.). Murilo Rubião: Literatura Comentada. São Paulo: Abril Educação, 1982, p. 99 a 102

Breve análise sobre questões filosóficas, tecnociência e cultura

Cultura pode ser definida como um conjunto de valores e objetos construídos por um determinado grupo humano. Os critérios podem e devem mudar dependendo da localização geográfica e, mais que isso, na medida em que há frações no interior do grupo desenvolvem-se múltiplos valores e compreensão simbólica do mundo. Equivale dizer que o sistema de cultura de um povo é o modo como ele assimila ou dá sentido ao que o cerca, dessa forma podemos pensar, como Bosi propõe, uma cultura erudita e em uma cultura popular. Na primeira, temos a centralização no sistema educacional, mais especificamente as universidades (o ambiente acadêmico) e em contraponto, a dita popular é basicamente iletrada, correspondendo ao nível do simbólico.

Partindo deste princípio, o que existe é uma singularidade da noção de cultura. Sendo assim, não podemos afirmar que existe uma cultura brasileira homogênea e sim, culturas brasileiras. Essa compreensão é ideal para darmos conta do que é cultura e que é por meio dela que damos significado à realidade que nos cerca.

Porque a nossa cultura atual é chamada de cultura de tecnociência?
Só é possível responder a esta questão se pensarmos que durante muito tempo a cultura científica parecia intocável do ponto de vista cartesiano, por exemplo, que constituía paradigmas às custas do senso de que, só a racionalidade científica dava conta de explicar os fenômenos da natureza. Esse quadro é alterado significativamente no último século, num esforço de múltiplas disciplinas que encontraram brechas para abalar as estruturas consolidadas a cerca de vários universos (política, economia) e, mais incisivamente a própria ciência.

A tecnologia tornou irreversível o processo de diminuição da velocidade máxima em que as relações humanas e suas construções simbólicas e culturais passam a ser racionalizadas por uma lei (aparentemente natural) só que é científica. Um exemplo para ilustrar essa dinâmica é o modo como a diminuição do esforço humano nos processos industriais permitiu que o homem criasse outras formas de se mostrar “útil” à automação. Como nos primórdios da história humana, o homem moderno se reconstrói para não ser devorado por máquinas. Basta pensar que é impossível “existir” fora da realidade da tecnociência.

Esta revolução tecnológica de nossos dias alterou e reorganizou as estruturas antigas (e só estamos contemplando as mudanças nas últimas quatro décadas) para redefinir o papel desse homo sapiens. O processo é desgastante e, afastada a tendência de um grande laboratório de experimentações, quando se trata dessa relação do homem com a tecnologia, podemos enxergar a irreversibilidade da dinâmica tecnociência e seu apetite voraz. Em grande medida, é por isso que a cultura atual é chamada de cultura da tecnociência. A cultura dos nossos dias é mediada pela tecnologia, e em exerce uma força persuasiva que problematiza as tensões socioculturais.

Quais são as características mais representativas da nossa cultura atual?
A complexidade, ambigüidades e contradições contidas em nossa cultura atual é tão representativa, em seu aspecto multidimensional, que implica considerar gerir a diversidade cultural, o que inicialmente é tarefa hérculea.

Em primeiro lugar, a globalização ampliou as fronteiras dos negócios e de mundo, além de diminuir as barreiras que atenuavam as diferenças entre países. Dessa forma, a competitividade se utiliza de um ferramental tecnológico para operar num ambiente incerto, complexo e com alta carga de multidisciplinaridade para entendê-la.Em seguida, é preciso entender como a globalização alterou os aspectos conceituais a respeito das culturas globais. Isto é, além de existir uma cultura territorial, há um universo de valores criados a partir da interação, virtual, para ficar em apenas um exemplo. Portanto, nem é preciso mais estar num país específico para absorver uma cultura local, embora, isso por si só, não dê conta de substituir a experiência de uma viagem.

Sendo assim, parece haver uma organização global capaz de adaptar e relacionar diferentes grupos culturais, por meio de aculturação. Isso não quer dizer que não haja atritos, tensões e lutas de poder. Isso apenas permitiu que tivéssemos uma cultura pluralista, heterogênea e, por este motivo, as características predominantes são: uma cultura de consumo, no qual “eu compro, logo existo” passa a ser a base filosófica para muitos, o que apaga o passado (enquanto valores e legado sociocultural) em troca do que é descartável.

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