Linguagem:o horizonte de uma concepção hermenêutico-pragmática da cultura.

Baseando-se no argumento de que “o homem não somente é, mas interpreta seu ser” o horizonte de abordamos uma concepção hermenêutico-pragmática da cultura e isso se dá quando uma nova orientação filosófica, que tem buscado refletir a respeito da própria necessidade  ou  relevância  das  discussões  epistemológicas, se mostra  como  caminho  viável  para  a compreensão  da  evolução  do  pensamento sobre a linguagem.

O interesse pela linguagem é muito antigo,  expresso por mitos, lendas, cantos, rituais ou por trabalhos eruditos que buscam conhecer essa capacidade humana. Remontam ao séc. IV a.C. os primeiros estudos sobre a linguagem humana. Saussure considerou a linguagem “heteróclita e multifacetada”, pois abrange vários domínios: é ao mesmo tempo física fisiológica e psíquica; pertence ao domínio individual e social. A língua, segundo ele, é uma parte essencial da linguagem;  é um produto social  da  faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos.
Sendo assim, a necessidade da palavra dissolve a ingenuidade no sentido de que tudo é em princípio posto em questão pela força da palavra. Quando falamos, colocamos em funcionamento todas essas funções, sendo  que   algumas   podem   estar   mais   salientes   que   outras, dependendo do contexto.

Segundo Manfreda Araújo Oliveira, a linguagem é o espaço do desvelamento e, ao mesmo tempo, da crítica do sentido do mundo, do homem e do todo. Dessa forma, a linguagem é resultado da interação social historicamente determinada, na qual os sujeitos se inserem, não sendo, portanto, um fenômeno puramente natural. Ela é dependente da capacidade de criação e liberdade humanas, sempre aberta à invenção e modificações como qualquer outra instituição social.

Indo além, a partir desse ponto podemos entender que “o homem só existe culturalmente”, segundo Oliveira e por isso fato de nos apropriarmos do uso da linguagem como quem domina uma técnica não significa que o fazemos de um modo puramente mecânico. Cada participante é capaz de interpretar a regra de um modo inovador e assim provocar mudanças na significação das expressões lingüísticas. Toda organização humana concreta estabelece-se numa espécie de reservatório cultural, um conjunto simbólico de sentidos e valores que sustentam o “fundamento” do ato comunicativo que o consenso tácito estabeleceu. As regras são apenas “indicadores de direção”, nada mais que isso. O emprego que fazemos dos indicadores de direção permanece aberto a interpretações, pois “cada interpretação, justamente com o interpretado, paira no ar; ela não pode servir de apoio a este. As interpretações não determinam sozinhas as significações”, segundo Spaniol, Werner.

A cultura, portanto, é condição de possibilidade do entendimento entre diferentes sujeitos fazendo do homem um ser semiótico. A linguagem não é uma coisa morta em que cada palavra representa algo de uma vez por todas. Ela é uma atividade humana situada cultural e historicamente. Os jovens, por exemplo, adoram usar termos diferenciados que correspondem ao seu grupo, mas que fora dele poucos compreendem. Assim, “radical” já foi usado para designar algo que é “maneiro” ou “massa”, um sujeito “legal” pode ser considerado “sangue bom” ou “moral” dependendo do lugar onde viva. Esse processo argumentativo situado na esfera da linguagem trata de justificar as bases da cultura como proposta reflexiva da filosofia. Nesse sentido, um argumento é o conjunto da conclusão e das premissas de uma reflexão filosófica. A conclusão do argumento é a proposição que se pretende justificar. As premissas são as proposições que devem apoiar a conclusão. Assim, provar, demonstrar, defender ideias, apresentar razões é argumentar.

Portanto, para se pensar o fenômeno que engloba a questão da concepção  hermenêutico-pragmática da cultura é preciso por de lado, a subjetividade e superficialidade de como entendemos, num conceito amplo, o que é a cultura. Além disso, o que é a cultura pensada como fruto da atividade do homem na perspectiva da filosofia da linguagem. Não se limita o poder do simbólico, muito pelo contrário, partindo-se dele temos que assumir uma postura de libertação imediata para abrangência do universo da significação e, fazendo uso de ferramentas da filosofia da linguagem, podemos alcançar tal objetivo.


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