Sobre fins e começos (5/5)

O post “Sobre fins e começos” foi divido em partes, a primeira fala sobre a academia, a segunda fala sobre a questão musica e a terceira mostra um pouco das minhas atividades na web (blogs, sites e afins). Nesta quarta divisão, conto um pouco do que aconteceu com minha religiosidade/espiritualidade.

>>> TRABALHO, SENSAÇÕES E EXPECTATIVAS

Este ano foi o fim de um contrato (trabalho) sem perspectivas de continuidade. Por isso, enquanto escrevo estas linhas penso sobre o quê está se desenhando, por Deus, para o meu futuro. Este job me deixou tranquilo para que pudesse cuidar das questões acadêmicas de forma tranquila, em miúdos, tive tempo de fazer trabalhos, TCC, estágio e atividades complementares. Além de ter tido contato com pessoas carentes, pude alcançar um novo “status” da minha carreira profissional ao utilizar tudo que “eu sei” em função de algo maior…

Minha sensação é que eu deveria ter realizado muito mais, não que eu necessariamente tivesse que TER algo mais, mas que eu conseguisse SER mais para tudo. Queria ter sido um melhor amigo, um melhor filho, irmão, e PRINCIPAMENTE um bom marido… Tenho muito esse sentimento de insuficiente dentro de mim. Sempre penso que o meu melhor ainda não foi apresentado, isso pra todas as dimensões do meu eu que puder discutir aqui. Mas o que aprendi neste ano é me contentar com pequenas coisas, isso não quer dizer que estou contente com tudo o que me aconteceu. É óbvio que não. Dificilmente conto para as pessoas quando tenho algum problema, e tirando um ou dois amigos mais chegados, poucos conseguem identificar em mim traços de insatisfação, tristeza… Não sou alegre o tempo todo, ninguém é, mas mantenho certo distanciamento de gente “pra baixo”, sabe aquelas que bastam duas palavras e a conversa ir para o precipício? Pois é, tentei me afastar de gente assim este ano. Resultado? Desafetos.

Sempre foi muito difícil para eu entender como é possível, em apenas alguns dias, pessoas se tornam “melhores amigos pra sempre” ou iniciar uma conversa do nada em fila de banco, transporte público, mas este ano me dei a possibilidade de fazer amigos, com alguns me decepcionei bastante, outros quero ter mais perto.

Depois desta imensa introdução, chegamos ao centro do meu argumento: porque temos que ser o tempo todo simpáticos, felizes, reclamar de coisas comuns para começar uma conversa? Porque temos que fingir que nos importamos com o bem estar alheio, se na verdade somos um bando de egoístas?Porque temos que rir pra quem não conhecemos? Porque no ambiente profissional fingimos ter gostado daquela piada só porque quem a fez era o chefe?! Há uma pressão cultural do “brasileiro alegre”, do bom mocismo à brasileira e a sociedade acolhe estas representações de “comercial de margarina”, além de incentivá-las. E foi exatamente o que fiz este ano, sorri apenas para o que quis, fingi um pouco menos do que o habitual. Sei que se vc leu até aqui terá dúvidas sobre “quem sou eu de verdade”, e é tão recíproco que me pergunto a todo o momento, “quem é esse cara afinal?!”.

O amadurecimento não é como uma “subida de escada”, pois o indivíduo está sempre subindo e descendo, muitas e muitas vezes, e nesse sentido, sinto que, em um ano, subi e desci essa escada muitas vezes. Tive uma sensação de que o mundo pode ser recriado, de que “Eu” poderia ser recriado, essa realidade tem a ver com minha fé, mais especificamente com a fé em Cristo. Nas palavras de Winnicott (1982): “felizes aquele cujos pés estão bem plantados na terra, mas que, mesmo assim, conservam a capacidade de desfrutar intensas sensações, nem que seja em sonhos que são sonhados e recordados”. Não é possível deixar ser quem se é, mas escolher como e com quem se relacionar e, em qual espaço-tempo, faz toda diferença para identificar suas verdadeiras motivações, seus desejos, o “self”, o “id”, sei lá… Ah! Em tempo, ainda não sei quem sou? Sei apenas o que não sou…isso, por si só, basta…por enquanto.

Sempre digo aos próximos que tenho uma mulher fantástica ao meu lado e quero tê-la por 2012 inteiro e, claro, se ela quiser, até o fim da vida. Quem mais para suportar as decisões que tomei? Quem estaria ao meu lado suportanto tudo? Quem me puxaria pra baixo quando tentasse sonhar demais? Ou quem iria fazer com que eu sonhasse com coisas maiores que eu? Quem é que ficou comigo quando o dinheiro da conta se foi e os cartões foram invalidados? Sei que não sou mereçedor da graça de Deus e no presente que Ele me deu em forma de esposa. O que faço?! Reconheço minha miserabilidade e vivo para não decepcionar a quem eu amo muito.

Sobre o que espero em 2012. Sinceramente, não vou desenhar meus planos num post e colocar na web, isto porque, faço parte daquele grupo de desconfiados que pensam que quanto mais pessoas souberem seus planos maiores serão as expectativas dos outros, em muitos casos, mais que a minha própria. Por isso, para evitar cobranças (afinal as minhas serão ainda maiores) em linhas gerais espero que tudo que eu passei sirvam para alguma coisa neste próximo ano e, ainda assim, se não servir que eu me refaça de novo, e de novo, e mais uma vez. Quantas vezes for necessário! E claro, espero não disperdiçar meus dias com coisas minúsculas que só me tiram o equilíbrio.

À quem ler estas palavras, ótimo 2012 !!!

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Rodrigo Paulo
    dez 30, 2011 @ 14:28:46

    Ano 2012 será muito bom.

    Responder

  2. contraposicao
    dez 30, 2011 @ 23:36:11

    Será Rodrigo, será!

    Responder

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