Breve análise sobre questões filosóficas, tecnociência e cultura

Cultura pode ser definida como um conjunto de valores e objetos construídos por um determinado grupo humano. Os critérios podem e devem mudar dependendo da localização geográfica e, mais que isso, na medida em que há frações no interior do grupo desenvolvem-se múltiplos valores e compreensão simbólica do mundo. Equivale dizer que o sistema de cultura de um povo é o modo como ele assimila ou dá sentido ao que o cerca, dessa forma podemos pensar, como Bosi propõe, uma cultura erudita e em uma cultura popular. Na primeira, temos a centralização no sistema educacional, mais especificamente as universidades (o ambiente acadêmico) e em contraponto, a dita popular é basicamente iletrada, correspondendo ao nível do simbólico.

Partindo deste princípio, o que existe é uma singularidade da noção de cultura. Sendo assim, não podemos afirmar que existe uma cultura brasileira homogênea e sim, culturas brasileiras. Essa compreensão é ideal para darmos conta do que é cultura e que é por meio dela que damos significado à realidade que nos cerca.

Porque a nossa cultura atual é chamada de cultura de tecnociência?
Só é possível responder a esta questão se pensarmos que durante muito tempo a cultura científica parecia intocável do ponto de vista cartesiano, por exemplo, que constituía paradigmas às custas do senso de que, só a racionalidade científica dava conta de explicar os fenômenos da natureza. Esse quadro é alterado significativamente no último século, num esforço de múltiplas disciplinas que encontraram brechas para abalar as estruturas consolidadas a cerca de vários universos (política, economia) e, mais incisivamente a própria ciência.

A tecnologia tornou irreversível o processo de diminuição da velocidade máxima em que as relações humanas e suas construções simbólicas e culturais passam a ser racionalizadas por uma lei (aparentemente natural) só que é científica. Um exemplo para ilustrar essa dinâmica é o modo como a diminuição do esforço humano nos processos industriais permitiu que o homem criasse outras formas de se mostrar “útil” à automação. Como nos primórdios da história humana, o homem moderno se reconstrói para não ser devorado por máquinas. Basta pensar que é impossível “existir” fora da realidade da tecnociência.

Esta revolução tecnológica de nossos dias alterou e reorganizou as estruturas antigas (e só estamos contemplando as mudanças nas últimas quatro décadas) para redefinir o papel desse homo sapiens. O processo é desgastante e, afastada a tendência de um grande laboratório de experimentações, quando se trata dessa relação do homem com a tecnologia, podemos enxergar a irreversibilidade da dinâmica tecnociência e seu apetite voraz. Em grande medida, é por isso que a cultura atual é chamada de cultura da tecnociência. A cultura dos nossos dias é mediada pela tecnologia, e em exerce uma força persuasiva que problematiza as tensões socioculturais.

Quais são as características mais representativas da nossa cultura atual?
A complexidade, ambigüidades e contradições contidas em nossa cultura atual é tão representativa, em seu aspecto multidimensional, que implica considerar gerir a diversidade cultural, o que inicialmente é tarefa hérculea.

Em primeiro lugar, a globalização ampliou as fronteiras dos negócios e de mundo, além de diminuir as barreiras que atenuavam as diferenças entre países. Dessa forma, a competitividade se utiliza de um ferramental tecnológico para operar num ambiente incerto, complexo e com alta carga de multidisciplinaridade para entendê-la.Em seguida, é preciso entender como a globalização alterou os aspectos conceituais a respeito das culturas globais. Isto é, além de existir uma cultura territorial, há um universo de valores criados a partir da interação, virtual, para ficar em apenas um exemplo. Portanto, nem é preciso mais estar num país específico para absorver uma cultura local, embora, isso por si só, não dê conta de substituir a experiência de uma viagem.

Sendo assim, parece haver uma organização global capaz de adaptar e relacionar diferentes grupos culturais, por meio de aculturação. Isso não quer dizer que não haja atritos, tensões e lutas de poder. Isso apenas permitiu que tivéssemos uma cultura pluralista, heterogênea e, por este motivo, as características predominantes são: uma cultura de consumo, no qual “eu compro, logo existo” passa a ser a base filosófica para muitos, o que apaga o passado (enquanto valores e legado sociocultural) em troca do que é descartável.

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