DEVORANDO UNS AOS OUTROS

Uma das marcas dos cristãos é sua LIBERDADE. Porém, facilmente colocamos, em nós mesmos, coleiras e deixamo-nos conduzir servilmente à opressão de um sem números de senhores. Seja em rituais religiosos um tanto duvidosos ou obedecendo, sem questionamento, ordens sobre o que ouvir, ler, escrever, sentir. São estratégicas armadilhas habilmente deixadas por um Lobo em busca de ovelhas manipuláveis. É exatamente neste ponto que, segundo Paulo, muitos se utilizam dessa liberdade para satisfazer seus prazeres, e não somente sexuais. São alguns sujeitos, que por se adequarem sem grandes dúvidas a um modelo religioso, pretendem que o resto do mundo, sob a legítima afirmativa de que precisam ser evangelizados, siga o mesmo arquétipo. Oprimem uns aos outros com argumentos tão frágeis quanto existir armas de destruição em massa no Iraque.

“Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros”1. Apesar da linguagem altamente figurativa, podemos utilizar o alerta do apóstolo para jogar luz em discussões que não levam a nada, são elas: i) não ouça música secular, ii) não tenha amigos fora do eixo igreja-família, iii) existe um único modo de usar roupas, ter estilo, utilizar maquiagem, tatuagem, iv) renegue o histórico sócio-cultural que nos trouxe até aqui…Percebam o desperdício de tratar destas questões. Este espaço sequer consegue conter.

Um ponto que me incomoda é a freqüente omissão, por parte de nossos clérigos, do estudo de nossa cultura brasileira, ou como afirma Bosi, culturas brasileiras. É claro que não podemos excluir a formação dos cristãos em dimensões morais, intelectuais e espirituais. De todo forma, por que somente os missionários teriam que ter disciplinas transculturais? Isso sim constituiria um bom fundamento para deixar de lado preconceitos da nossa alma/espírito.

Agostinho, em suas Confissões, considera a liberdade uma opção por fazer o bem, ou melhor, fazendo bom uso seu livre-arbítrio se chega à Verdade, que é Deus. O homem pode ser verdadeiramente livre, e que liberdade é esta? Submeter-se a essa Verdade, que é Jesus Cristo: “se permanecerdes na minha palavra sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará2.

Referências
1. Gálatas 5:15 2. João 8-31,32

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