Cristais, sensibilidade e um gigante.

Sensação de desconforto. Nada faz sentido. Tudo é tão sensível que pode se quebrar a um leve movimento. Inadequação, talvez seja uma boa palavra para descrever o cenário. Ela deve ter ficado deslocada, embaraçada. Numa sociedade patriarcal e sem estar casada, encontrava-se grávida. Um noivo perplexo e talvez sentindo-se traído. Vergonha. Carregava em seu ventre, um menino.

[…]

Numa reunião com pessoas que ele mesmo havia perseguido o ar é pesado. Desconfiança. Olhos ressabiados. Medo. “Talvez seja uma estratégia para matar a todos nós” pensaram alguns. O perseguidor dos adeptos da seita “O Caminho” foi rejeitado. Razões de sobra eles tinham para não dividir o mesmo teto, quem diria que repartiriam o mesmo pão?

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O gigante se percebe cercado de pequenos objetos. Não há memória de como chegou até ali. Ao tentar se virar derruba uma taça de cristal. Estilhaçada em mil pedaços, só resta a lembrança do que já foi um dia. Ele não pode se mover, qualquer movimento trará conseqüências desastrosas. A respiração torna-se mais pesada. Se respirar um pouco mais forte causará a queda de todas aquelas peças habilmente equilibradas nas prateleiras. Ele quer a liberdade. Respira.

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Aquela mulher quer dizer a todos o que realmente pensa, mas não pode. Irá magoar a muitos. Não quer se vestir como todas se vestem. Não quer ser obrigado a ter que falar uma língua e gírias que desconhece, sequer sabe a origem. Muitos lhe cumprimentam com “A paz”, mas olham para ela atravessado. Não entende a dinâmica do culto e, se pergunta se não seria mais útil pregarem nas ruas aos que ainda não entenderam a mensagem.

[…]

Dentro da carcaça se misturam duas substâncias insondáveis racionalmente. De alguma forma, os três elementos funcionam muito bem, até que o corpo desiste de funcionar. Uma parte migra para o Eterno, a outra aguarda sua pena. O que antes parecia um relógio, dado seus movimentos e funcionamento, agora se desfaz, porquê o corpo não suportou mais o peso da alma e do espírito.

[…]

Num impulso, o elefante se mexe com uma rapidez incrível, o que não lhe é peculiar. Se move até a porta da frente da loja. Não age racionalmente. Ouve o ruído dos cristais sendo quebrados um a um. O prejuízo será brutal. Por alguns segundos só existe a dança daquelas peças sendo arremessadas ao chão por causa dele: o culpado. Olha para trás e percebe que não há libertação sem danos.

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