Eu, politeísta?!?

Confrontado recentemente por um professor universitário acerca de minha crença em Deus, respondi acreditar em Deus, no Filho e no Espírito Santo. Recebi imediatamente, pra minha surpressa, uma afirmação em relação ao meu credo: você é politeísta! Acreditar em mais de um Deus é ser politeísta…Por já ter sido cristão, o professor expôs um dos mais delicados temas da fé cristã. Como não houve tempo e nem a possibilidade de diálogo, resumi meu posicionamento na seguinte afirmação: “Não acredito num Deus esquizofrênico, com distúrbio de múltiplas personalidades. Não vejo sentido num Deus que fala consigo mesmo (citei vários momentos descritos na Bíblia em que o Pai dirigisse ao Filho e vice-versa, além da promessa de ter deixado entre nós seu Espírito), sendo a mesma pessoa. Portanto, se ser politeísta era ter a crença no Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo, então sim, eu era politeísta.

Como tenho aqui a possibilidade de ampliar e organizar melhor meu argumento, utilizarei este post para re-afirmar minha posição teológica/religiosa/espiritualista (dê o nome que quiser). “Creio em Deus, que é único e um só, plena e eternamente subsistente em cada uma das três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, com perfeita comunhão entre si.” Alguns denominam este credo como “Trindade”, embora esta doutrina apresentada por Tertuliano e examinada pelos grandes expoentes da religião cristã seja criticada e alvo de uma gama de especulações.

Há entretanto questões não explicadas de apreensão metafísica para se compreender a transcendência e mistério que Richard Dawkins expoe bem em “Deus, um delírio”, afirma ele que “meu litigante hingu imaginário provavelmente entraria no jogo do “Se não pode vencê-los, junte-se a eles”. Seu politeísmo não é um politeísmo de verdade, mas um monoteísmo disfarçado. Há apenas um Deus (…) e as centenas de outras são apenas manifestações diferentes ou encarnações do mesmo Deus.” Não há neste post qualquer intenção de esclarecer o tema, um tanto quanto espinhoso. Ao contrário, neste jogo de luz e sombra no qual escondem-se teólogos, pastores e líderes cristãos, um pensamento sistemático a respeito de Deus não facilita o entendimento, só o deturpa, piora, coloca-o numa prateleira para futura consulta. A necessidade de formular a doutrina da Trindade foi deixada ao encargo da Igreja por forças externas, e foi especialmente a sua fé na divindade de Cristo, e a necessidade de defendê-la, que pela primeira fez compeliu a Igreja a enfrentar o dever de formular uma doutrina completa da Trindade para sua regra de fé e que acompanha o credo doutrinário de toda e qualquer organização cristã. A grande assembléia realizou-se em Nicéia, em 325. No final, foi apresentado o símbolo da fé, onde a profissão de fé no mistério da Trindade confessa a existência de um só Deus em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Devido a uma doutrina errônea sobre o Espírito Santo, o segundo concílio foi realizado em Constantinopla em 381 e esclareceu o pensamento que assim como Jesus era uma pessoa plenamente divina, o Espírito Santo também o era. “A palavra latina filioque ‘e do filho’, foi um acréscimo posterior, aparentemente pequeno, mas altamente controvertido, ao Credo Niceno-Constantinopolitano. No ano de 589, o terceiro Concílio de Toledo inseriu esta palavra”.

Para aqueles que aguentaram chegar até este ponto da leitura esclareço, da mesma forma como disse ao professor, “é minha escolha acreditar”, “estamos num país livre, e por isso me sinto livre para escolher acreditar em Deus, no Filho e no Espírito Santo”.  Agostinho revela, em diversas passagens, as suas reais intenções (Cf. I, 3:5,6; 5:8). Era seu desejo aprofundar-se na compreensão do mistério trinitário; o desejo de melhor conhecer o mistério divino para mais o amar, e torná-lo conhecido e amado (Cf. A oração final XV 28). Portanto, ao contrário do senso comum, religião se discute sim, porém levando em consideração a liberdade do outro em acreditar/ter fé seja na santa, na bíblia, na Trindade, num único Deus, em orixás, em divindades indígenas, entre outros. Por mais que eu rejeite ou considere acreditar num Deus-elefante, sei que muitos acreditam nisso, e sendo assim, respeito-os e não tento forçar “goela abaixo” minha crença, minha fé, do mesmo modo que não estou aberto para doutrinação de qualquer outra orientação.

E para encerrar, e ainda deixando em aberto o tema, o conceito do homem completo, na união substancial de seus elementos é mente, alma e corpo, seria um espelho da trindade?!!?  Com a mente, o homem percebe a sabedoria, contemplação do eterno. Contudo, a Trindade, nesta vida, o homem a vê tão somente em espelho e em enigma, pois essa visão acontece por meio da imagem de Deus, que é o próprio homem – semelhança obscura e difícil de discernir, como afirma Magalhães em ” De Trinitate de Santo Agostinho”.

 

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3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Fabrício
    abr 06, 2011 @ 13:23:30

    Vc é polisteísta….nao há 3 deuses e sum 1 só

    Responder

  2. Davi
    abr 06, 2011 @ 14:02:28

    Fabrício, qual é o seu aparato teórico para tal afirmação?! Acredito que você não entendeu a essência deste post… A propósito, post muito bom por sinal, obrigado Abner!

    Responder

    • Fabrício
      abr 06, 2011 @ 15:25:36

      Aparato teórico? O próprio Abner citou o Richard Dawkins e Agostinho, e por meio do primeiro me coloco nesta discussão: o Abner é politeísta, acredita em Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo, ou seja, três deuses, três formas de pensar. O monoteísmo que permeia as religiões cristãs não abrangem esse conceito explorado pelo Abner, por isso faço côro com o professor que o confrontou. Como é possível ser evangélico, cristão, e rejeitar essa doutrina, visto que o credo é comum, em relação à Trindade, três em um???

      Davi, acho que VOCÊ não entendeu a essência deste post. O próprio autor coloca: “religião se discute sim, porém levando em consideração a liberdade do outro em acreditar/ter fé seja na santa, na bíblia, na Trindade, num único Deus, em orixás, em divindades indígenas, entre outros. Por mais que eu rejeite ou considere acreditar num Deus-elefante, sei que muitos acreditam nisso, e sendo assim, respeito-os e não tento forçar “goela abaixo” minha crença, minha fé, do mesmo modo que não estou aberto para doutrinação de qualquer outra orientação.” como VOCÊ vem inquerir meu aparato teórico, se o que estamos discutindo é FÉ?

      Aguardo resposta.

      Responder

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