O problema é que você lê pouco

Dias atrás fui surpreendido com a confusão gerada por conta de um tweet postado em meu perfil no Twitter. Um dos meus seguidores, além de não ter entendido o que eu havia escrito, passou a responder à mim pedindo para que eu fosse mais claro em minhas colocações. Embora não haja, neste post, qualquer intenção de examinar o conteúdo da mensagem no Twitter, o fato é que, depois de analisado várias vezes, não identifiquei qualquer falta de sentido, entretanto localizei o causador da pequena confusão: uma ironia colocada em entrelinhas…

Este é somente um “micro” exemplo das proporções geradas por conta da leitura feita de maneira rasa, sem qualquer interesse em aprofundar-se nos sentidos ou múltiplos sentidos. A geração da informação quer todo o conteúdo mastigado e explicado em seus mínimos detalhes, porém ao mesmo tempo deve ser bem pequeno (não mais do que 140 caracteres) para poder ser processado na velocidade em que se procura outra informação. E o processo de introjetar mais e mais informação certamente tem efeito negativo no entendimento da mensagem. Não há mais reflexão acerca de um tema, apenas o consumo de palavras sem qualquer interesse em se degustar suas qualidades.

Mesmo aqueles que se defendem argumentando que lêem muito, na verdade fazem uma leitura parcial dos acontecimentos. Um exemplo: a partir do momento que somente um jornal ou um canal de televisão é o responsável por abatecê-lo de informação, o desencadeamento de uma parcialidade nos comentários é inevitável. É preciso conhecer os dois lados da moeda, num jargão bem popular. É realmente necessário ter opinião ou tomar partido de tudo que acontece? Enquanto não vemos o quadro completo, o máximo que conseguimos é tecer comentários vazios de sentido global, baseados apenas na experiência, o que convenhamos não é nenhum critério de avaliação para um “todo”.

O vídeo a seguir ilustra bem esse post. Mesmo que você não curta a música ou o posicionamento dos integrantes da banda, o que fica é a frase final. Concorda?!?!

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8 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Eduardo Lages
    mar 25, 2011 @ 16:45:56

    Não gosto do Amarante, mas ele acertou em cheio e você também!

    Responder

  2. Rodrigo Paulo
    mar 26, 2011 @ 10:41:05

    Muito bom esse post Abner. Sempre nos enriquecendo com temas muito ricos. Cara, uma vez o grande professor Paulo Cesar, disse-me que alguns que dizem serem bons leitores, e que não compreendem a verdadeira mensagem, se comparam a outros leitores, aqueles que leêm a capa/ resumo do livro e dizem que entenderam a obra na sua totalidade. O problema além de ser de leitura, como você disse, também esta no fato da massificação de informação, e constante necessidade de respostas rápidas a tudo, por exemplo, em conteúdos na Internet.

    Como fazer uma leitura de uma obra Machadiana tão rápido?

    Parabéns.

    Responder

    • Érica Velloso
      mar 26, 2011 @ 11:21:59

      Rodrigo o problema está no filtro q as pesoas ñ fazem qdo leem algo nesta massificação q vc chama / Isso é um prblema pq não temos parametros de comparação e isso nos torna fracos de argumenação.

      Abner, seus posts cada vez mais me incomodam num bom sentido.

      Responder

  3. Gabriela Rodrigues
    mar 27, 2011 @ 13:10:20

    Olá, meu querido… Muito bom isso!

    Fui vítima de várias más interpretações de meus tweets e meus textos no blog… Recebi críticas de pessoas queridas que não entenderem o que e o porquê do eu tinha escrito.

    (No meu caso, meus textos e frases, geramente, são “desabafos” sufocados, colocados da forma mais branda que eu posso.)

    Enfim, escrevendo, falando ou cantando, impossível agradar a todos… Mas, primordial é reflletir bem antes de falar/comentar, certo?
    bjo

    Responder

  4. Claudia Alenccarle
    mar 28, 2011 @ 11:39:13

    ñ entendi qdo falou “E o processo de introjetar mais e mais informação certamente tem efeito negativo no entendimento da mensagem” ??????

    Responder

  5. Dex8
    mar 29, 2011 @ 09:58:02

    Ter opinião pra tudo é um saco!

    Responder

  6. Davi
    mar 30, 2011 @ 15:16:43

    Muito bom! Eu concordo plenamente com o seu posicionamento e adorei o vídeo. O “jornalista” não teve ao menos retórica. Infelizmente o nível de mediocridade é imenso, consequente da busca pela facilidade superficial.

    Responder

  7. Trackback: A significação: uma abordagem pedagógica « contraposição

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