Esperar é caminhar

Confesso que parte da minha desconfiança para com os caras do “Palavrantiga” (www.palavrantiga.com) se baseava em pré-conceitos e rótulos. O primeiro deles era em relação a sonoridade, bem próxima a do Los Hermanos, porém não em sua totalidade. Em seguida, tinha a implicância à poética proposta nas canções. Porém, cada pressuposto foi derrubado ouvindo as canções do “Esperar é caminhar” o mais recente álbum da banda que tem Marcos Almeida  como lead-vocal e compositor. O objetivo deste post é apenas compartilhar esse som, pois uma resenha bem mais elaborada foi produzida pelo aliterasom e que você lê aqui. E é desta resenha que destaco, do meu ponto de vista, as melhores músicas de “Esperar é caminhar”

Rookmaaker – Imagino o sucesso que a canção faz ao vivo. A letra é a mais confrontadora do disco porque decide conversar com o ouvinte. Vale ressaltar que a arte faz este papel: dialoga. A resposta? A mais variada possível. Cada um fará uma leitura da mensagem. Falar de Hans Rookmaaker e Jean Paul Satre não é uma tarefa fácil e demanda pesquisa. Tranformá-la em canção é trabalho mais difícil ainda. Isso significa duas coisas: a banda não pensa em rastejar as referências para agradar este ou aquele público. Depois: não reduzem o privilégio de cantar sobre Deus ao expor o que pensam (ou o que os filósofos pensam) em uma canção. Baita canção, excelente refrão.

Pensei – A distribuição dos versos da canção “Pensei” quando apenas cantada soa estranha. É preciso ler. A canção em si merecia um peso maior. É uma boa faixa e possui as mesmas características da faixa 4: momentos de quietude associada a outros de muito sentimento visceral. E é lógico que deve funcionar muito bem ao vivo.

Feito de Barro – A inclusão das canções do “Volume 1″ é justificada. Elas apresentam as primeiras canções registradas em estúdio pela banda. No entanto, a diferença das mixagens das músicas antigas é grande e tais canções soam como demo. Talvez o mais interessate fosse regravá-las. A banda optou por incluí-las sem nenhum retoque. Ao menos não se distingue qualquer tipo de overdub. Feito de Barro não deixa dúvida das escolhas de fé que a banda fez e possui um interlúdio bastante sentimental. Destaque para as pequenas frases de baixo e a levada de Lucas Fonseca.

Finalizo, concordando com os críticos do aliterassom: Há quem acuse a música gospel de ser panfletária. Curioso que não acusem qualquer outro estilo que também despeja preferências de todo o tipo no ouvinte, sem fazer cerimônia. Infelizmente, parte desta culpa é da própria música gospel, que atira em muitas direções e acaba juntando joio e trigo numa só bacia de colheita. O mercado pode ser o mesmo, mas o produto, creia, é diferente.


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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Lucivan Martins de Pinho @lucivanpinho
    jun 20, 2012 @ 01:07:33

    O melhor cd que eu ouvi este ano!

    Responder

  2. Ainoan Morenna
    jul 11, 2013 @ 03:06:56

    Verdadeiramente espetacular! Amo Rookmaaker!

    Responder

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