“The Book of Eli”: fé, esperança e muitos doláres

Os irmãos Allen e Albert Hughes, diretores de “The Book of Eli”, tentaram produzir um filme  pós-apocalíptico, de ficção científica, blockbuster e acabaram entregando a um pequeno público o que os críticos de cinema denominam: cult. O motivo de algumas pessoas cultuarem certos filmes (daí o termo) está naquilo que não se pretende, ou seja, não há projeto que nasça da pretensão de ser cultuado, ele simplesmente se torna um. Dessa forma, o que os irmãos Hughes não entregam são as famosas explicações e porquês. As respostas estão nos diálogos e sobretudo no que não é dito, naquilo que é sutilmente sugerido. Denzel Washington, no papel de Eli, apesar de um tanto artificial nas coreografadas cenas de luta, faz o que lhe pagam: nos leva a acreditar que aquela personagem existe. Contudo, não é dele a responsabilidade de “carregar” o filme e sim dos elementos fé e esperança que atravessam todas as cenas, seja na fotografia azulada que cria um ambiente e ares mortis ou na não explicação proposital do passado e dos motivos daquele ambiente catastrófico.

A capacidade de interpretar os fatos apresentados, assim como a habilidade de construir hipóteses acerca do que está sendo contado, constituem os fatores principais deste filme ser objeto de discussão mesmo não apresentando os melhores efeitos especiais disponíveis no mercado (apesar de ser evidente que foram gastos milhares de doláres na produção deste). Um dos diálogos do filme ilustra essa opção de trocar tecnologia pelo discurso estruturado nos significados da palavra: (The Book of Eli)…é uma arma. Atinge diretamente o coração e mente dos fracos e desesperados. Isto (a palavra) nos dará o controle sobre eles. Não é um livro qualquer” diz a personagem Carnegie, interpretada pelo sempre competende Gary Oldman.

The Book of Eli
Direção: Allen Hughes e Albert Hughes /Roteiro: Gary Whitta / Elenco: Denzel Washington, Gary Oldman, Mila Kunis, Ray Stevenson, Jennifer Beals, Evan Jones, Joe Pingue, Frances de la Tour, Michael Gambon

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Davi
    fev 15, 2011 @ 13:11:51

    Acabei de assistir ao filme “O livro de Eli”, o apreciei muito. Sua resenha ficou ótima, bons apontamentos. 🙂

    Responder

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