Corpo, alma e espírito: um começo

Quando estava no seminário ficava confuso, e hoje ainda mais, sobre a dicotomia e tricotomia para explicar as relações corpo e  alma e corpo, alma, e espírito, respectivamente. Sendo difícil explicar cada um deles, associá-las a energia biológica (corpo), energia vital divina (espírito) faz o trabalho ser ainda mais complexo. A discussão que Kivitz propõe: se a nossa convicção a respeito de Deus  e seus sentimentos, pensamentos e vontades (aspectos de uma alma) estiver certa, como explicar o fato d’Ele não tê-la e sim, ser somente Espírito?

A questão antropológica contida nessa discussão é como o homem é visto, se vê e, como realmente é. Dizem que o ser humano tem sentimentos da alma e sentimentos do espírito, pensamentos da alma e pensamentos do espírito, vontades da alma e vontades do espírito, entretanto isso parece mais um ser mitológico com duas cabeças do que é, evidentemente, o homem. Os estudos antropológicos e teológicos não me ajudam. Talvez seja esta a razão por eu não conseguir engavetar cada assunto em determinada biblioteca no meu cérebro.

O conflito maior em função desse tema teve origem quando da busca para entender um dos mandamentos bíblicos que é justamente “amar a Deus de toda alma, de todo o coração, de todo o entendimento, de toda a força”. Isto é, teoricamente, preciso entretanto não é explicável em termos práticos: como amar a Deus de toda a alma? Onde ela está? Seriam os meus sentimentos? Bem, pode-se optar em utilizar a evolução do pensamento filosófico, dos pré-socráticos a Agostinho e Tomás de Aquino o que renderia páginas e mais páginas para sintetizar a profundidade de suas reflexões acerca dos termos.

É com base nesses dilemas, que um homem, para compreender suas dimensões, busca a religião que de alguma forma o liga à uma entidade superior, e portanto, não há necessidade de explicação para algumas questões, basta seguir normas, experiências, dogmas, parâmetros questionáveis, em resumo: praticar a fé. Por outro lado, a explicação filosófica não dá conta de preencher o vazio que sentimos mesmo depois de uma boa leitura de Descartes e sua compreensão do ser humano como unidade indivisível corpo/alma.

O que estou fazendo no mundo? Qual a finalidade da minha criação? Há algo além dessa vida? Enquanto não tenho resposta para essas dúvidas, minha fé em um modelo humano para orientar minhas atitudes é plausível diante das dúvidas que crescem e, dificilmente são explicadas.

“Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando.” Clarice Lispector

 

Leitura: “Vivendo com propósito”, por Ed Rene Kivitz.

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